ECONOMIA CONTINUA AFUNDANDO SOB BOLSONARO

Reproduzimos abaixo importante estudo produzido pela Fundação Getúlio Vargas, sobre a evolução do PIB, e seus diversos componentes, até abril último. O estudo foi publicado esta semana, na página do Instituto Brasileiro de Economia, que pertence à FGV. Antes do texto, seguem alguns gráficos que constam no relatório completo do estudo.

É apavorante observar que todos os índices econômicos relevantes apresentam acelerada deterioração nesses primeiros meses do governo Bolsonaro.

 

 

 

 

 

 

 

 

No Ibre / FGV

Monitor do PIB aponta recuo do PIB de 0,1% em abril

18/06/19

 

O Monitor do PIB-FGV aponta, nas séries dessazonalizadas, recuo de 0,1% do PIB em abril, na comparação com março; e, de 0,9% no trimestre móvel findo em abril (fev-mar-abril), em comparação ao trimestre findo em janeiro (nov-dez/18-jan/19). Na comparação interanual, a economia retraiu 0,3% em abril e permaneceu estagnada no trimestre móvel findo em abril.

 

“A queda de 0,1% da economia em abril, segundo o Monitor do PIB-FGV, é a terceira retração mensal consecutiva registrada no ano. O desempenho da agropecuária e da indústria explicam essa desaceleração da atividade econômica. A taxa acumulada em 12 meses chegou a 0,6%; menor crescimento registrado desde o acumulado em 12 meses até outubro de 2017. No acumulado em 12 meses até abril a indústria volta ao terreno negativo depois de 14 meses de crescimento. Chama atenção que a extrativa e a transformação também retornam a variações negativas”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB.

 

A retração de 0,1% observada em abril, em comparação a março é explicada, principalmente pelo fraco desempenho da agropecuária que caiu 1,9% (com quedas tanto na agricultura quanto na pecuária) e da indústria que caiu 0,4%; dentro da indústria a única exceção foi o crescimento de 0,3% da transformação. Na comparação contra o mesmo mês do ano anterior, a queda de 0,3% da economia foi reflexo, principalmente, das retrações da agropecuária (-2,0%) e de todas as atividades industrias (-2,3%). Pela ótica da demanda, tanto na comparação da série com ajuste sazonal, quanto na comparação interanual, apenas as importações caíram (-2,6% e -1,7%, respectivamente).

 

ANÁLISE DESAGREGADA DOS COMPONENTES DA DEMANDA

A análise gráfica desagregada dos componentes da demanda foi feita usando a série trimestral interanual por apresentar menor volatilidade do que as taxas mensais e aquelas ajustadas sazonalmente permitindo melhor compreensão da trajetória de seus componentes.

 

Consumo das famílias

O consumo das famílias cresceu 1,3% no trimestre móvel findo em abril, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Conforme apresentado no Gráfico 3, o consumo de serviços continua sendo o que mais contribuiu para essa variação, tendo crescido 1,8% (com 1,1 p.p. de contribuição). O outro destaque é o consumo de produtos duráveis com crescimento de 4,5% (com 0,4 p.p. de contribuição) devido, principalmente, ao desempenho do consumo de veículos, motos, partes e peças. Na comparação realizada na série livre de efeitos sazonais, a taxa de variação mensal do consumo das famílias em abril, na comparação com março, foi positiva em 0,7%, com crescimento em todos os tipos de consumo.

 

Formação bruta de capital fixo

A FBCF, cresceu 0,6% no trimestre móvel findo em abril, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Mais uma vez, o desempenho positivo é devido ao componente de máquinas e equipamentos que apresentou crescimento de 1,9%, nesta comparação; este resultado foi influenciado, principalmente, por máquinas automotivas (automóveis e caminhões). Apesar de positivo, o resultado é declinante e está bem abaixo do ápice de 2018, registrado no trimestre findo em agosto (8,5%). Na comparação realizada na série livre de efeitos sazonais, a taxa de variação mensal da FBCF em abril, na comparação com março, foi positiva em 0,4% com crescimento de seus principais componentes: máquinas e equipamentos e construção.
Exportação

A exportação apresentou crescimento de 0,3% no trimestre móvel findo em abril, em comparação ao mesmo trimestre de 2018. Este componente segue em desaceleração, desde seu ápice em janeiro; isto resulta, principalmente, da retração de bens de capital (-39,6%) e de bens de consumo duráveis (-31,1%). Os destaques positivos da exportação devem-se ao desempenho dos produtos da agropecuária (9,3%) e da extrativa mineral (22,8%).

Importação

A importação apresentou retração de 6,1% no trimestre móvel findo em abril, comparativamente ao mesmo trimestre de 2018. As retrações da importação estão concentradas em bens de capital (-24,1%), bens de consumo duráveis (-19,7%), bens de consumo semiduráveis (-17,1%) e nos serviços (-12,8%). Os destaques positivos da importação devem-se ao desempenho dos produtos da agropecuária (11,5%) e da extrativa mineral (8,2%).

 

MONITOR DO PIB EM VALORES

Em termos monetários, o PIB em valores correntes alcançou a cifra de aproximadamente 2 trilhões, 300 bilhões, 367 milhões de Reais no acumulado até abril do corrente ano.

A taxa de investimento (FBCF/PIB) foi de 16,9%, em abril, na série a valores de 1995.

 

APÊNDICE – NOTA EXPLICATIVA

O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume e em valor. O objetivo de sua criação foi prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE. Sua série inicia-se em 2000 e incorpora todas as informações disponíveis das Contas Nacionais (Tabelas de Recursos e Usos, até 2016, último ano de divulgação) bem como as informações das Contas Nacionais Trimestrais, até o último trimestre divulgado (primeiro trimestre de 2019).

 

O indicador é ajustado as Contas Nacionais Trimestrais sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, das Contas Nacionais Trimestrais. Nos trimestres calendário, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda. Para o ajuste sazonal mensal é utilizado o modelo mensal do IBC-Br, do Banco Central; para os trimestres móveis utiliza-se uma média desses ajustes mensais.

 

Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem os resultados das Contas Nacionais Trimestrais nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes.

 

O Monitor do PIB compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações de volume, em valores correntes, e a preços de 1995 das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Apresenta, ainda, o Valor Adicionado a preços básicos, os impostos sobre os produtos e o PIB e também os componentes do PIB pela ótica da demanda. Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa. As desagregações disponibilizadas pelo Monitor são:

 

Consumo das Famílias: bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente eles são classificados em nacionais e importados;

 

Formação Bruta de Capital Fixo: em máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados;

 

Exportações e Importações: em produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis), produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.

 

São divulgadas as séries de base móvel, séries encadeadas, séries encadeadas dessazonalizadas, as taxas mensais, trimestrais e anuais comparadas a igual período do ano anterior e as taxas mensais e trimestrais comparadas a período imediatamente anterior, e os valores nominais correntes e a preços de 1995.

 

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM:

https://www.ocafezinho.com/2019/06/20/economia-continua-afundando-sob-bolsonaro/

 

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