DIANTE DA AMEAÇA DE RETROCESSOS, PARADA LIVRE DE PORTO ALEGRE CELEBRA DIVERSIDADE E RESISTÊNCIA

 

Financiada por uma campanha coletiva, com o apoio de empresas parceiras, a 22ª Parada Livre de Porto Alegre reuniu dezenas de milhares de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais (LGBTs) e apoiadores na tarde deste domingo (18). Com o tema “resistir para não morrer”, o evento teve um tom político, com diversas falas destacando a necessidade de se organizar e fazer frente a possíveis retrocessos que possam ser impostos pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e as bancadas conservadoras no Congresso nacional.

 

No início da tarde, o tempo nublado após a chuva da noite anterior contrastava com os dias de sol e calor em que geralmente ocorrem a Parada, sempre na segunda metade de novembro. Por volta das 18h, as nuvens se afastaram e, com o surgimento do sol, mais pessoas se juntaram ao evento, que tomou conta de grande parte do parque. Diversos comerciantes vendiam bandeiras do movimento LGBT, além de adereços como coroas de flores e tiaras de unicórnio. Havia ainda food trucks e venda de bebidas.

 

Dentre as performances artísticas de drags, já tradicionais na Parada, Vitz Queen se apresentou ao som de “O tempo não para”, de Cazuza, e exibiu a frase “ele não” no peito. Outro destaque foi a artista Júlia Franz, que usou uma roupa que representava uma vagina e contou com a presença de quatro mulheres que se beijaram no final da apresentação. Diversos coletivos que participaram da organização da Parada, incluindo a Defensoria Pública e os Escoteiros, subiram ao palco e fizeram falas. O evento também contou com tradução simultânea em libras.

 

Um dos momentos mais emocionantes da tarde foi a fala de Avelino Mendes Fortuna, integrante do coletivo Mães Pela Diversidade – no caso dele, pai – que perdeu seu filho Lucas Fortuna há seis anos. Assassinado em Pernambuco, o jovem goiano de 28 anos, que era homossexual e militante LGBT, foi espancado, tendo seu rosto destruído, e jogado no mar ainda com vida. “Meu filho era lindo. Ele foi assassinado e eu não quero isso para mais ninguém, por isso vou continuar nessa luta para sempre”, garantiu, aplaudido pela plateia.

 

A violência contra a população LGBT também foi mencionada por Julio Knach, do coletivo Homens Trans em Ação (HTA), que destacou que a “nossa bandeira já é vermelha, do sangue de LGBTs, de mulheres, de negros e negras. O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo”. A professora Paula Sandrine Machado, do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Sexualidade (Nupsex) falou sobre a “ofensiva conservadora” que ocorre no país neste momento, citando projetos como o Escola Sem Partido.

 

Também estiveram presentes deputados que apoiam a causa e se comprometeram a lutar pelos direitos da população LGBT no Congresso e na Assembleia. Fernanda Melchionna (PSOL), vereadora que cumprirá mandado como deputada federal a partir de janeiro, destacou o simbolismo de a Parada ser realizada com financiamento coletivo nesse momento de luta. “Não tem governo reacionário capaz de botar os LGBTs de volta no armário. Vamos lutar todos os dias por Marielle Franco, por Lucas, e por tantos outros”, afirmou.

 

Jeferson Fernandes (PT), presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, disse que os conservadores “não conseguirão matar a nossa disposição de lutar por direitos e cidadania”. Já Luciana Genro (PSOL) lembrou que a Parada foi realizada sem o apoio do poder público. “Vamos juntos resistir e avançar”, afirmou. Sofia Cavedon (PT), vereadora e também deputada estadual eleita, destacou que “onde eles querem ódio, nós oferecemos alegria e diversidade. Onde eles querem repressão, nós oferecemos a possibilidade de democracia, de cada um ser o que é”.

 

A coordenadora da ONG Outra Visão, uma das que organizaram a Parada, Priscila Leote mencionou o caráter político do evento. “A Parada Livre não é só festa, é um ato político. A gente resiste há muito tempo e vamos resistir mais quatro anos”, afirmou, referindo-se ao mandato de Bolsonaro. “Me emociono ao ver esse parque cheio e ver que a luz está chegando para acabar com essas trevas”, acrescentou Gabriel Galli, coordenador da Somos e também integrante da organização, enquanto o sol afastava as nuvens no céu.

 

Célio Golin, um dos nomes mais conhecidos no meio LGBT de Porto Alegre, afirmou que “depois do golpe de 2016 esse país entrou numa escalada de ódio”. “Temos que ter consciência de que somos bode expiatório, com essa questão do kit gay, da ‘ideologia de gênero’, Escola sem Partido”, apontou ele, que é coordenador do Nuances – Grupo pela Livre Expressão Sexual, um dos organizadores e fundadores da Parada.

 

Por volta das 18h45, os militantes seguiram em caminhada pelas ruas em torno do parque, guiados pela faixa da Marcha Lésbica, evento que ocorre de forma integrada à Parada Livre. Após a marcha, retornaram ao palco, onde ocorreram mais apresentações artísticas.

 

As fotos do vídeo abaixo são do extraordinário Guilherme Santos, do Sul21.

 

 

 

 

 

 

 

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