DOCUMENTÁRIO CONTA HISTÓRIA DA VIAGEM DE TRABALHADORES A BRASÍLIA PARA VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT NA CÂMARA

O filme começa com uma frase histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1º de janeiro de 2003, o operário pela primeira vez eleito presidente da república tomaria posse e gravaria um mantra na memória daqueles que não deixam de ter esperança mesmo diante dos piores dias da democracia. “A esperança venceu o medo”, disse Lula quando estava com a faixa presidencial atravessada em seu peito em frente ao Palácio do Planalto em Brasília. Pouco mais de 13 anos depois, o Canal Paralelo, iniciativa dos jornalistas Caio Venâncio e Felipe Castilhos propõe a inversão de sujeito desta frase histórica no webdocumentário “O Medo venceu a esperança”. Lançado no CineBancários, na noite da segunda-feira, 25/7, o documentário de cerca de 25 minutos, descreve a viagem de um grupo de trabalhadores que foram participar daquele que pode ter sido o pior dia da recente história de um povo que se acostumou a vencer o medo com esperança.

 

Caio e Felipe viajaram com uma delegação de trabalhadores, de ônibus, de Porto Alegre a Brasília, para documentar as 36 horas de viagem que antecederam o fatídico 17 de abril. As expectativas de quem ainda nutria esperança na ida para a capital federal de que os deputados federais dissessem não e mantivessem a presidenta Dilma Rousseff no cargo contrasta com o medo após a derrota.

 

 Segundo Caio, o filme foi inspirado em “Peões”, de Eduardo Coutinho, e que conta a trajetória de uma greve no ABC Paulista, comandada por Lula, em 1984, ainda sob a Ditadura Militar. “Foi uma viagem longa, difícil. Entendemos que deveríamos acompanhar esses trabalhadores para documentar um momento histórico. Estivemos dos dois lados. Também documentamos a reação daqueles que apoiavam o golpe”, explicou.

 

O debate que se sucedeu à apresentação do documentário na sala do CineBancários reuniu dois personagens e uma diretora do SindBancários que cumpriu as 36 horas de ida e as outras 36 da volta. Afinal, o que houve neste dia? O que aconteceu para que chegássemos ao ponto de a primeira presidenta de um partido que acendeu a esperança na classe trabalhadora tenha sido apeado do poder?

 

Ficou claro que foi um golpe. E o que mais? “Era um partido de ideologistas, de trabalhadores, mas quando deixamos as aves de rapina entrar… Quando as aves de rapina estão voando, elas ficam só olhando de cima. Mas quando elas entram, elas te furam os olhos. Quem fez o golpe não tem histórico de amassar barro”, avaliou Medusa Duarte, um dos personagens entrevistados para o webdocumentário, referindo-se a um ditado da militância de esquerda.

 

A diretora do SindBancários, Cátia Nunes, contou da experiência que foi viajar de ônibus por quase um país continental inteiro e de ter levado o filho Leonardo, de 10 anos. “Fiquei emocionada com o documentário. Foi muito triste. O que é mais triste são as imagens dos deputados votando pelo sim. Mas valeu a pena ter ido. Porque depois que assumiu o interino Temer, começamos a ver que nós, trabalhadoras e trabalhadores, seríamos prejudicados naquilo que havíamos conquistado com os governos de Lula e Dilma”, avaliou Cátia.

 

A diretora de comunicação do Sindicato, Ana Guimaraens, lembrou que os dois realizadores do documentário “O Medo venceu a esperança” trabalham na produção de vídeos para o SindBancários. “O documentário é um trabalho maravilhoso. Temos que reconhecer o valor das pessoas que foram lá para a frente do Congresso Nacional. Temos que dar o valor para a classe trabalhadora. Depois daquele dia do golpe, ficou claro que aqueles que assumiram o país querem cassar nossos direitos. Querem jogar a aposentadoria para 65, 70 anos”, disse Ana.

 

Para a diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de Cachoeirinha, Arlete Febbe, também personagem do documentário, depois do fatídico dia 17 de abril, houve uma mudança de visão de muitos que não acreditavam que a votação na Câmara dos Deputados não era um golpe. “A grande maioria era contra o governo. Eles acham que a Dilma estava errada. Agora que está caindo a ficha de que foi errado apoiar o golpe. Os patrões estão tripudiando em cima disso. Eles querem terminar com todo o acordo coletivo”, disse Arlete.

 

Filipe Castilhos, do Canal Paralelo, chamou a atenção para o efeito que a grande mídia exerce nesses momentos cruciais da história de um país. Grandes empresas, como a Rede Globo e a Revista Veja, da Editora Abril, foram decisivas para o desfecho da votação do afastamento da presidenta Dilma. “Muitos trabalhadores são politizados, mas de uma forma escravizada, produzida pela grande mídia. Nosso trabalho também é mostrar para as pessoas que é preciso buscar outros meios de comunicação, disseminar outros meios alternativos”, Felipe Castilhos.

 

Por mais que o título mostre a tristeza de um dia em que trabalhadores sofreram uma das piores derrotas da história da recente democracia brasileira, o medo ficou naquele dia. Não foi fácil. Mas ainda há esperança. “Esses caras não têm amor pelo Brasil. A mídia fez com que os trabalhadores se virassem contra eles mesmos”, acrescentou Medusa Duarte.

 

A frase que melhor resume aquilo que é preciso fazer a partir de gora, veio da entrevista do lutador José Barcarol. Dizendo-se brizolista e herdeiro de uma visão de esquerda da política, José disse que gosta de política como há pessoas que gostam de futebol. Em uma rodoviária, na viagem de volta de Brasília, ele deu o tom daquilo que é preciso fazer daqui para diante. “Vamos à luta, companheiro! Não nos entreguemos”. Sinal de que ainda há esperança para vencer o medo.

 

Fonte: Imprensa SindBancários

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