CARDOZO: “É DE RECEBER DINHEIRO DE FURNAS QUE DILMA É ACUSADA?”

 

A comissão especial da Câmara que analisa o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff se reúne nesta segunda-feira, 11, a partir das 10 horas, para votar o parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), relator do processo, que é favorável à continuidade do processo de afastamento. O cronograma prevê o início da análise em Plenário na próxima sexta-feira (15).

 

Antes da abertura da sessão, um bate-boca foi registrado entre parlamentares governistas e da oposição por conta da lista de suplentes. O deputado Washington Reis (PMDB-RJ), titular da comissão, não deve vir para a votação. 

 

Com isso, há uma discussão sobre quem será o suplente que poderá votar em seu lugar. Como o PMDB está dividido entre aqueles a favor e contra o impeachment, governo e oposição disputam o lugar de Reis. O deputado Laudívio Carvalho (SD-MG), que é suplente, diz que foi o primeiro a chegar à sala de reunião, por volta das 6h40. O deputado Vitor Valim (PMDB-CE), também suplente, foi o primeiro do PMDB a colocar o nome na lista. Já os deputados governistas afirmam que a lista informal não registra a ordem de fato de chegada.

 

O ponto central da discussão é a legitimidade, ou não, do processo de impeachment. Apesar do caráter técnico do relatório, o tom da discussão dos parlamentares foi político. Quem se opõe ao impeachment afirma que os fatos tratados na denúncia não podem ser considerados crimes de responsabilidade. Já os favoráveis alegam que há crime nas condutas da presidente e fizeram referência à crise econômica e à perda de governabilidade da presidente. O embate gerou várias interrupções nos pronunciamentos por conta das manifestações dos lados contrários.

O relatório de Jovair conclui que a presidente Dilma precisa ser julgada pelo Senado por crime de responsabilidade pela abertura de créditos suplementares por decreto presidencial, sem autorização do Congresso Nacional; e por adiar repasses para o custeio do Plano Safra, obrigando o Banco do Brasil a pagar benefícios sociais com recursos próprios – o que ficou conhecido como "pedalada fiscal".

 

Prática comum
Ao defender a presidente Dilma, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) afirmou que as pedaladas são uma prática comum e que a denúncia contra a presidente é baseada em uma mudança de posição do Tribunal de Contas da União (TCU). "No Brasil, se depender do Tribunal de Contas da União, do seu procurador, nem o passado é seguro", comentou, em referência a uma frase do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan.

 

O deputado Pepe Vargas (PT-RS) explicou que o governo usa uma mesma conta para pagar todos os benefícios sociais e, dessa forma, não é possível calcular o saldo necessário diariamente. "Há dias em que esse saldo é positivo; há dias em que é negativo. Não há empréstimo de bancos públicos", declarou.

 

Ao ressaltar que Dilma não responde a nenhum processo judicial, Vargas afirmou que o impeachment é uma tentativa de golpe. "Impeachment sobre um governo eleito pelo voto popular de 54 milhões de brasileiros e sem crime de responsabilidade da presidente é golpe."

 

O deputado Silvio Costa (PTdoB-PE) denunciou uma "confraria do golpe", composta de políticos que não gostam da presidente Dilma Rousseff. Entre eles, Augusto Nardes, Michel Temer, Eduardo Cunha e Aécio Neves. Com o tom satírico que lhe é de costume, Costa afirmou: "Aécio Neves tem dois problemas: urnas e Furnas", ao se referir ao fato de Neves ter perdido a eleição em Minas Gerais, estado de origem, e à ligação do político com escândalos relacionados à estatal Furnas Centrais Elétricas.

 

Crime de responsabilidade
Jovair Arantes, por sua vez, ressaltou que seu relatório "é consistente, robusto do ponto de vista de provas e absolutamente claro com relação às colocações feitas pelos denunciantes". "Estamos apenas admitindo a possibilidade de abrir o processo, entregar para o Senado fazer a colocação de novas provas e apresentar para a sociedade a possibilidade de cassar a presidente no Senado Federal", disse.

 

O deputado Rocha (PSDB-AC) também rebateu as críticas. "Não adianta o PT tentar encontrar erro nos outros para esconder os seus. O governo perdeu a credibilidade diante do povo brasileiro", disse.

 

Já o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) afirmou que a presidente cometeu atos que atentam às leis orçamentárias ao autorizar a abertura de créditos suplementares por decreto presidencial, sem autorização do Congresso Nacional. Ele disse que, ao editar decretos sem cumprir a meta imposta pela lei orçamentaria aprovada, a presidente violou as leis, e deve ser julgada por crime de responsabilidade.

 

"Não importa abertura de credito suplementar em si; o que importa é se está dentro da meta anteriormente autorizada pelo Congresso, e a meta se verifica a cada bimestre. Ou seja, a presidente sabia que não iria cumprir a meta e continuou editando decretos: daí a responsabilidade da presidente", disse.

 

Por sua vez, o deputado Elmar Nascimento (DEM-BA) afirmou que as chamadas pedaladas fiscais e os decretos de crédito suplementar já são suficientes para justificar o pedido de impeachment. "A defesa diz que sempre ocorreram as pedaladas fiscais e não ocorreram em 2015. Mentira! Em dezembro de 2015, havia um saldo R$ 55,6 bilhões em pedaladas. O governo se beneficiou de financiamento ao longo do ano, e a prova é que o Executivo pagou juros sobre isso", comentou.

 

Debate contaminado
Líder da Rede, o deputado Alessandro Molon (RJ) ressaltou que a Câmara só pode analisar os pontos recebidos na denúncia e tratados pelo relator: os decretos de abertura de crédito suplementar e as pedaladas fiscais para pagar o Plano Safra. "Fico perplexo porque ouvi grandes lideranças dizendo que o julgamento será pelo conjunto da obra. Procurei essa expressão na Constituição e não encontrei. Quem julga pelo conjunto da obra é eleitor quando vota, parlamentar vota pelo que está na Constituição", disse.

 

Não é a avaliação do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Para ele, a presidente cometeu crime de responsabilidade ao fazer as pedaladas, ao nomear o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ministro da Casa Civil e diante da delação do senador Delcídio do Amaral (MS), ex-líder do governo no Senado. "Precisamos analisar o conjunto da obra criminosa, e a presidente se valeu de crimes de responsabilidade para tentar se manter no poder", disse.

 

PUBLICADO ORIGINALMENTE EM :
http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/225113/Comiss%C3%A3o-vota-nesta-2%C2%AA-parecer-pelo-impeachment.htm

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