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É TEMPO DE DESPERTAR

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Poderíamos dizer que em meio à guerra de informações, a luta contra as "fake news" só não é mais urgente do que a organização para que tenhamos mobilizações gigantescas no próximo sábado, dia 2 de outubro. É preciso, no entanto, que tenhamos um olhar para além das nossas posições ou interesses políticos. Não é à toa que além do impeachment de Bolsonaro, a luta nas ruas é por comida no prato e vacina no braço.

 

Enxergar o "Fora Bolsonaro" como questão estratégica, seja para a eleição de Lula ou para a viabilização de uma terceira via rumo às eleições de 2022, é um erro de interpretação e de princípios. Quem realmente defende a democracia, compreende a urgência do impeachment de Jair Bolsonaro. Afirmar que a melhor estratégia é deixar Bolsonaro "sangrar" até 2022, tendo como argumento que o desgaste político acumulado durante o seu governo poderá favorecer eleitoralmente o projeto político popular de esquerda, é algo pequeno demais para quem deseja governar o Brasil.

 

O impeachment de Bolsonaro é imprescindível à democracia.

 

Recentemente, durante entrevista ao UOL, Tarso Genro mencionou a importância da terceira via no atual cenário político do país. Na minha opinião, o ex-governador do Rio Grande do Sul conseguiu dar outro sentido a este debate, até então restrito às trincheiras partidárias, indicando que o tema pertence ao conjunto da sociedade. Esta é a minha interpretação, pois o ex-ministro da Justiça não usou estas palavras. O que realmente afirmou é que a terceira via pode ser uma oportunidade para criar um clima de disputa política com alto padrão civilizatório entre dois candidatos do campo democrático e republicano.

 

Além de reafirmar as qualidades do ex-presidente Lula, que considera o melhor candidato para assumir a presidência do Brasil em 2022, Tarso enfatizou que o impeachment de Bolsonaro ou a sua derrota já no primeiro turno permitirão ao país uma limpeza do protocolo político republicano e das agressões que a extrema-direita tem feito às instituições do país. As afirmações do ex-governador ajudam nas reflexões sobre as manifestações do próximo sábado.

 

Tratar os protestos como algo maquiavelicamente orquestrado para impulsionar uma suposta terceira via, é miopia política. As jornadas de mobilizações, agora ampliada pela presença de diversas outras correntes políticas, não são trampolim eleitoral de quem quer que seja. Enxergá-las dessa forma é não perceber os riscos de Bolsonaro à democracia e ao próprio país. Não basta lutar e resistir, a democracia exige mais que isso. É tempo de despertar para um horizonte mais amplo do que as urnas de 2022.