TRABALHADORES DA CULTURA FORAM FUNDAMENTAIS PARA A DEFESA DA DEMOCRACIA E NA RESISTÊNCIA AO GOLPE


Ao mergulhar nos arquivos que foram produzidos em 2016 pelo jornalista Alexandre Costa, quando o golpe à democracia se consolidava a cada dia, tornando-se uma ameaça constante ao governo da presidenta Dilma Rousseff, o www.esquinademocraica.com resgata um pedacinho da história recente do país, trazendo à tona a resistência protagonizada em Porto Alegre pelo chamado "povo da cultura". O quinto episódio do especial A CERTEZA NA FRENTE E A HISTÓRIA NA MÃO é bem mais do que um punhado de vídeos contendo registros do triste período que antecedeu o impeachment de Dilma. Também não é, apenas, uma homenagem aos trabalhadores da Cultura e sua incondicional disposição de enfrentar as adversidades para defender o país. Os registros, materializados nos vídeos que foram postados nos canais do Esquina Democrática, no facebook e no youtube, demonstram a força e a importância da classe dos artistas e dos trabalhadores da cultura no âmbito da política e da sua contribuição ao longo da história do Brasil.


A luta pela democracia e a resistência ao golpe teve como marco a abertura do processo de impeachment, no dia 2 de dezembro de 2015, pelo então presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. O processo foi votado pela Câmara no dia 17 de abril de 2016 e, no dia 12 de maio, o Senado afastou provisoriamente Dilma Rousseff. O impeachment foi consolidado meses depois, no dia 31 de agosto, após a votação em plenário, pelo Senado, resultando em 61 votos a favor e 20 contra a derrubada da ex-presidenta.


O HOMEM BANDA O primeiro vídeo é um apanhado de imagens registradas naquele final de tarde e na noite histórica da quarta-feira, dia 23 de março, e demonstra o esforço coletivo de pessoas que trabalham ou se identificam de alguma forma com a cultura em Porto Alegre e que resolveram defender publicamente a democracia. A música é de Mauro Bruzza,"O Homem Banda". As imagens são de Alexandre Costa e a edição e mix são obra prima do Tiago Silveira, que em minutos em frente à tela do computador disponibilizou o vídeo para as redes sociais. No facebook, Alexandre Costa postou o vídeo e a descrição de uma das mais lindas manifestações já realizadas em Porto Alegre. "Foi uma noite de lua cheia e de muita emoção, de olhos mareados, de muitos e muitos sorrisos, de amor e de esperança. Essa noite que entrou para a história das nossas vidas foi construída com a soma de cada um, de muitas e muitos. E o chapéu passou para que o conjunto da obra pudesse ser o que foi. Entre acordes, graves e agudos, artistas de todas as cores, raças, gêneros e credos soltaram suas vozes e deram o recado, em alto e bom som: NÃO VAI TER GOLPE, VAI TER LUTA".

NÃO VAI TER ÓDIO, VAI TER ARTE

No segundo vídeo, a voz da Kátia Sumam ao fundo já fazia contra-ponto ao pensamento de direita que crescia nos guetos reacionários e conservadores da sociedade e tomou conta do Brasil. "Não vai ter ódio, vai ter arte", dito pela reconhecida comunicadora e produtora cultural (locutora da extinta Rádio Ipanema - FM), ainda hoje seria um belo tapa-de-luva no fascismo. Nesse registro do movimento Cultura pela Democracia, Alexandre Costa fez uma releitura das imagens daquela quarta-feira, em que Porto Alegre rodou feito moinho às voltas de uma multidão. E como se fosse o reencontro do ontem e do hoje, escreveu: "Nem sei bem porque, mas deu vontade de escrever sobre a manifestação da cultura em defesa da democracia, que fez da noite de quarta-feira (23/3/2016) um dia para sempre. Esse é o meu olhar em relação à nossa luta, parafraseando o Tiago Silveira, que selecionou as imagens para o "Homem Banda", e provocou a inspiração...".


O trecho acima, entre aspas, é uma citação retirada da postagem feita pelo jornalista, no facebook. Abaixo, segue a descrição daquela noite em forma de poesia. NÃO VAI TER ÓDIO, VAI TER ARTE Era noite de lua linda Nem tão cheia, Nem minguá Tinha poesia e arte Misturamos os olhares O céu e as estrelas. Funk e rock and roll Pés no chão e bandeiras Jovens e crianças Pessoas de todas idades Gente de todas as cores E somamos as nossas vozes Teve samba e alegria O nosso grito aos ventos E vai ter luta e democracia

A SENZALA JÁ DESCEU

Nos dois vídeos abaixo, a questão do racismo se fez presente. No primeiro registro, Nega Jaque não deixa pedra sobre pedra no caminho da discriminação social e do racismo no Brasil. O discurso da rapper porto-alegrense que cresceu no Morro da Cruz rasga o manto da hipocrisia branca e fascista. No outro vídeo, Mario Pirata deu o recado e seus versos poderiam ser uma poesia visionária do cenário atual que tomou conta do mundo. Em março de 2016, Mário Pirada disse: "a senzala já desceu". É como se o vento oferecesse carona para o tempo e num instante a frase do poeta se traduziria para o hoje e o agora como vidas negras importam.

MÍDIA GOLPISTA

Um dos bordões da luta contra o golpe de 2016, que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, foi e tem sido a denúncia direcionada ao trabalho da mídia e da imprensa brasileira. Durante as manifestações em Porto Alegre, diversos músicos e artistas de modo geral, integrantes ou não do movimento Cultura pela Democracia, sempre que subiam ao palco externavam sua opinião sobre a mídia, que passou a ser chamada de golpista. A banda Farabute deu o recado de forma bem explícita.

A DEMOCRACIA ESTÁ COM A CULTURA

No vídeo abaixo, resgatamos a participação Rafael Guimaraes, jornalista e escritor, de Marcelo Branco; ex-coordenador das mídias sociais da ex-presidenta Dilma Rousseff; e de Nazareth Agra Hassen, antropóloga e ativista cultural. Nazereth questionou a produção cultural daquele segmento político que se oponha à Dilma. Que tipo de cultura aqueles que queriam derrubar a ex-presidenta ofereciam ao país. É como se a antropóloga Nazareth estivesse prevendo o futuro, traduzido pelo total descaso que o governo de Jair Bolsonaro tem em relação à Cultura do país.

No baú de registros do jornalista Alexandre Costa, ainda tem muitos outros vídeos para serem disponibilizados. Aguardem!


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A CERTEZA NA FRENTE E A HISTÓRIA NA MÃO


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