PANDEMIA:UNICEF REVELA QUE MAIS DE 20 MILHÕES DE BRASILEIROS DEIXARAM DE COMER POR FALTA DE DINHEIRO


O início de dezembro marcou o retorno da pandemia ou a segunda onda de covid-019 no Brasil. Na primeira semana do último mês do ano foram registradas 4.067 mortes, o maior número desde outubro. Esse período também marca o pagamento da última parcela do auxílio emergencial. Desde outubro, o auxílio de R$ 600 já havia sido reduzido pela metade. A pesquisa Impactos Primários e Secundários da COVID-19 em Crianças e Adolescentes, realizada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e publicada nesta sexta-feira (11/12), revela que a pandemia de COVID-19 interfere diretamente no hábito alimentar dos brasileiros.


De acordo com o levantamento, 13% da população do Brasil (cerca de 20,7 milhões de pessoas) deixaram de comer porque "não havia dinheiro para comprar mais comida". O estudo indica também que 86 milhões de brasileiros (55% da população) sofreram com queda na renda familiar durante a pandemia – entre os mais pobres, 15% perderam toda a fonte de renda. O estudo da Unicef mostra que o problema se agrava de acordo com a renda: nas classe D e E, este índice sobe para 30%; na classe C é de 14%; e na B, de 4%. Nenhuma pessoa da classe A deixou de comer por problemas financeiros durante a pandemia. Segundo os mesmos dados, 5,5 milhões dos entrevistados que moram com pessoas menores de 18 anos declararam que as crianças e os adolescentes do domicílio deixaram de comer por falta de dinheiro para comprar alimentos.

A pesquisa da Unicef aponta também que 86 milhões de brasileiros (55% da população) sofreram com queda na renda familiar durante a pandemia. Mais uma vez, este problema é mais grave entre as famílias mais pobres. Dos entrevistados com renda de até um salário mínimo, 69% afirmaram que tiveram cortes em sua renda. Entre eles, 15% afirmaram ter perdido toda a fonte de renda.


CRIANÇAS E ADOLESCENTES

O estudo também reflete o desafio do ensino a distância no país. Somente 3% dos estudantes brasileiros de 4 a 17 anos voltaram a ter aulas presenciais. Entre adolescentes de 11 a 17 anos, 27% disseram ter sentido insônia ou excesso de sono, enquanto 28% tiveram diminuição do interesse em atividades rotineiras. No total, 54% das famílias relataram que algum adolescente do domicílio apresentou algum sintoma relacionado à saúde mental. O ensina a distância, no entanto, deve perdurar por mais alguns meses. Nesta quinta-feira (10), o Ministério da Educação (MEC) autorizou que escolas e universidades realizem aulas remotas enquanto durar a pandemia do novo coronavírus. Os números da pandemia no Brasil seguem em alta. Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (10), 21 estados e o Distrito Federal apresentaram alta na média móvel de mortes pelo segundo dia seguido: escalada de 35% em relação à média de duas semanas atrás.


DESEMPREGO

Ainda antes da redução do auxílio, o desemprego atingiu recorde de 14,6% – cerca de 14 milhões de pessoas – no trimestre encerrado em setembro. Com a flexibilização das medidas de isolamento, mais pessoas saíram à procura de uma ocupação. Além disso, as famílias sofrem ainda com o aumento do preço dos alimentos. O valor da cesta básica registrou alta de 35% nos últimos 12 meses. Ou seja, em pelo menos cinco capitais do país o auxílio de R$ 300 reais não compra sequer metade da cesta com os produtos essenciais. Nos últimos anos, ainda antes da eclosão da pandemia, o IBGE já havia registrado aumento da ameaça da fome no Brasil. No período 2017-2018 – ou seja, após o impeachment de Dilma Rousseff –, 36,7% dos domicílios do país enfrentavam algum grau de insegurança alimentar. Já o grau considerado grave de insegurança alimentar atingia 3,1 milhões de pessoas.