PANDEMIA DE SOLIDARIEDADE - 6

Atualizado: Abr 7


NADA SERÁ COMO JÁ FOI UM DIA

Perplexa e assustada diante de um cenário futurista, a humanidade passou a questionar o sistema econômico, os modelos de produção e os valores sociais diante de uma pandemia que mata, gera miséria e fome em grandes escalas.



O coronavírus transformou a vida de parte considerável da população do planeta. A pandemia, que por vezes mais parece uma obra de ficção futurista ou um daqueles pesadelos aterrorizantes, já chegou à marca de 60 mil óbitos e é responsável pela contaminação de mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo. A tragédia só não é maior em função do distanciamento social, medita indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a mais eficiente para barrar a propagação do vírus. Enquanto os profissionais da saúde lutam de todas as formas para salvar vidas, economistas anunciam uma grande e inevitável catástrofe no sistema financeiro mundial.


Desde sua disseminação inicial na China, a pandemia espalhou-se para a Ásia, com destaque para a força com que atingiu a Coreia do Sul. Pouco tempo depois, chegou ao Irã e em seguida a Europa já contabilizava milhares de vítimas fatais, tendo a Itália como o caso mais extremo. Nos EUA a pandemia está em um estágio mais avançado da disseminação do vírus em relação ao Canadá e à América Latina, onde o Brasil apresenta maior contágio que países vizinhos como a Argentina ou ainda o México. No continente africano e na Oceania, a pandemia do coronavírus se alastra rapidamente, demonstrando que vivemos uma catástrofe efetivamente globalizada.


O cenário em todos os continentes é de bloqueio de fronteiras, paralisação do trabalho em diversas áreas, o esvaziamento de praças públicas, escolas, universidades, repartições, teatros, cinemas, entre outras tantas atividades sociais. As inseguranças fragilizam o mercado e o mundo vive diante de tantas incertezas que os valores cambiais, as cotações das moedas e o sobe e desce das bolsas já não fazem a menor diferença. Atualmente, a única certeza é que o mundo não será mais o mesmo após a pandemia do coronavíros, seja em função das milhares de vidas perdidas e das milhões de pessoas infectadas ou pelas consequências desastrosas à economia. Alguns analistas chegam a traçar cenários recessivos que podem ser comparados à crise de 1929. Em outras palavras, a pandemia que mata também gera miséria e fome em grandes escalas.


DEFASAGEM DE NÚMEROS

A escassez de testes e a demora para liberação dos resultados escondem a realidade de mortos e infectados no Brasil. Os números divulgados pelo Ministério da Saúde podem ser apenas a ponta do iceberg.



O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (6/4) que 516 pessoas já morreram vítimas do novo coronavírus no Brasil e que o número de infectados em todo país é de 11.721. De sábado para domingo foram confirmados 54 óbitos e um acréscimo de 852 infectados no período de 24 horas. Diversas autoridades têm alertado para o fato de que os números apresentados pelo Ministério da Saúde estão muito abaixo da realidade, em função da escassez dos testes e da demora dos seus resultados. Casos suspeitos não são contabilizados até que sejam confirmados por exames, que por sua vez podem demorar mais de uma semana.


Como o Ministério da Saúde não divulga dados sobre óbitos suspeitos de coronavírus, apenas os confirmados, os números reais podem ser muito maiores do que os oficiais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta que os países façam testes em massa em casos suspeitos. A taxa de mortalidade no país, segundo o governo, é de 4,4%, superior à taxa global de 3,74%. O fato dos números não corresponderem à realidade são apenas a ponta de um iceberg.


Como o número de infectados é bem maior, o retrato epidemiológico fica constantemente atrasado, pois a demora na testagem provoca um delay na notificação dos casos. A consequência desta diferença impacta diretamente nas estatísticas com as quais os governos trabalham para conter a disseminação do coronavírus.


A experiência internacional mostra que países que adotaram a testagem em massa na população, como a Coreia do Sul, conseguiram controlar melhor a epidemia. Após uma indicação de que os países realizassem testes em massa pela OMS, o governo brasileiro assumiu publicamente que o país não tinha condições de realizar testes em massa. Entretanto, o Ministério da Saúde decidiu ao menos ampliar a capacidade de testagem para uma parcela maior da população.


A Anvisa aprovou pouco mais de uma dezena de novos tipos de testes para diagnosticar a Covid-19. No domingo, dia 22 de março, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 10 milhões de testes rápidos de um fornecedor chinês. Na terça daquela semana, o Ministério da Saúde informou a ampliação do número de testes disponíveis, totalizando 22,9 milhões . O volume de testes adquiridos é referente a compras diretas, doações e parcerias público-privadas. Parte desses testes, 14,9 milhões, será utilizado em pacientes internados, pessoas com sintomas leves, por amostragem. Este tipo de teste é mais complexo e necessita de laboratórios para a sua análise. Os demais, são testes rápidos e serão utilizados para a triagem em alguns pronto-socorros e em profissionais de segurança pública e da saúde.


O problema é que as soluções apresentadas até agora não são capazes de sanar a necessidade de um país com 210 milhões de habitantes. Além disso, não há previsão de quando esse reforço na testagem estará disponível nas unidades de saúde. De um lado, há uma dificuldade de pronta-entrega num cenário de esgotamento de insumos no mundo. O Governo, por exemplo, ainda negocia com vários fornecedores. De outro, é preciso validar esses testes no país e averiguar sua confiabilidade antes que sejam aplicados em larga escala, segundo defendem infectologistas.


IDEOLOGIZAÇÃO E INTOLERÂNCIA

No Brasil, a pandemia gerou uma crise política de grandes proporções, motivada principalmente por entendimentos e teses opostas em relação às medidas adotadas pelo país para combater o coronavírus. Enquanto o mundo inteiro segue as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza o isolamento social como a melhor maneira de salvar vidas; o presidente Bolsonaro defende a ideia de que é preciso salvar a economia, pois inevitavelmente a pandemia vai causar a morte de muitas pessoas .



O presidente Jair Bolsonaro tem sido criticado veementemente pelo seu posicionamento em relação à pandemia do coronavírus. Suas declarações e atitudes causam perplexidade e revolta não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. Seja pelo conteúdo, que de forma assustadora nega e ignora a ciência. Ou pela forma como se refere à pandemia, tratando-a como uma gripezinha, desrespeitando a morte e a dor de inúmeras pessoas que perderam seus familiares.


O negacionismo de Bolsonaro diante dos perigos do coronavírus pode gerar consequências catastróficas. A campanha "o Brasil não pode parar" nada mais é do que uma apologia ao desrespeito às normas adotados pelo próprio país que governa. A falta de ações e iniciativas do governo federal e a irresponsabilidade pessoal de Bolsonaro gera um clima de total insegurança ao Brasil. Além de colocar em risco a população, Bolsonaro tem sido responsável pela ideologização da pandemia, tanto em nível nacional quanto internacional.


Justamente quando deveria buscar a união de todos e a soma de esforços para combater a pandemia, Bolsonaro faz exatamente o contrário. O presidente divide os brasileiros entre os que querem salvar a economia e aqueles que querem salvar vidas, como se não fizessem parte de uma mesma luta. Sem dúvida, um dos maiores erros de Bolsonaro foi dividir o governo em ministros técnicos, militares e ideológicos. Estes últimos representados por Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Abraham Weintraub, da Educação e protegidos pelo deputado Eduardo Bolsonaro, que por muito pouco não foi indicado embaixador do Brasil em Washington. 


FALTA DE DIPLOMACIA E INCAPACIDADE PARA GOVERNAR

Em nível internacional, Bolsonaro evidencia ainda mais a sua incapacidade

diplomática e a sua total falta de habilidade em relação à pandemia.



Para os seguidores do presidente, o novo coronavírus, ao qual chamam de vírus comunista, foi uma criação dos chineses, unica e exclusivamente visando prejudicar a economia das maiores potencias mundiais e como forma de assumir o controle do mercado internacional. A teoria da conspiração tenta esconder, na verdade, a intolerância política do presidente brasileiro diante de um país de regime diferente. O relatório“Cooperação Internacional para o Combate ao Coronavírus: Resultados, Lições e Caminho a Seguir”, divulgado no início do ano pelo SIIS (Instituto de Estudos Internacionais de Xangai). O documento adverte para o erro de ideologizar as decisões em relação ao coronavírus e defende que só há três respostas racionais para combater a pandemia: solidariedade, cooperação e empatia.


Porém, nem Donald Trump e nem o presidente Jair Bolsonaro enxergam o tamanho da catástrofe causada pela pandemia. Diante do caos que a pandemia do coronavirus vem causando aos EUA, Trump voltou atrás e pediu a adesão dos americanos ao isolamento social. No entanto, assim como Bolsonaro, o presidente norte-americano parece não ter crítica em relação à sua postura e ao cargo que ocupa. Além de não preparar sistema de saúde do país para enfrentar o coronavírus, Trump envergonha os EUA ao assumir uma postura inescrupulosa, interferindo de forma gananciosa no mercado internacional de equipamentos de saúde.


TREM DESGOVERNADO

As relações entre Brasil e China, que já não andavam boas, podem piorar bastante nos próximos dias. Em uma manifestação dura, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, deixa claro nesta segunda-feira (6/4) que o país poderá retaliar o Brasil, causando prejuízos bilionários às empresas nacionais, depois que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, fez declarações racistas contra os chineses em entrevista a Eduardo Bolsonaro.



Não bastasse a declaração do filho do presidente brasileiro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), agora quem resolveu colocar tudo a perder foi o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Nesta semana, mais precisamente no dia 1º de abril, o filho do presidente Jair Bolsonaro usou o twitter para atacar a China, uma das maiores potências mundiais e um dos principais parceiros econômicos do Brasil. O deputado Eduardo Bolsonaro chamou o Covid-19 de “vírus chinês”. A manifestação do deputado fez o cônsul-geral da República Popular da China no Rio de Janeiro, Li Yang, publicar uma carta aberta na sexta-feira (3) destinada ao filho do presidente, afirmando se tratar de mais um insulto à China. Li Yang fez referência também ao tuítes postado por Eduardo no dia 18 de março, ocasião em que atacou maliciosamente a China. .


Neste sábado, o ministro Abraham Weintraub deu a entender que a pandemia de coronavírus não passa de uma conspiração chinesa para dominar o mundo. Mais que uma declaração irresponsável, a agressão de Weintraub pode aprofundar a crise com a China, país que mais investe no Brasil e que mais importa os nossos produtos. Além disso, a China é o maior produtor mundial de equipamentos e insumos de saúde, materiais que estão em falta no mundo inteiro em decorrência da pandemia do coronavírus. As palavras do ministro e do filho do presidente revelam muito mais que a falta de habilidade para lidar com um tema tão delicado. A cada dia fica mais evidente para toda a opinião pública que o presidente perdeu definitivamente o comando do país e seu governo parece um trem descarrilhado à beira de um abismo.

Lembrando o velho ditado que diz "a fruta nunca cai longe do pé" e retornando a outubro de 2018, em pleno período eleitoral, é possível perceber que o desrespeito com os chineses não é de hoje. O próprio Jair Bolsonaro, então candidato à Presidência, atacou a China e viu seu nome estampado em manchetes no mundo inteiro ao dizer: "A China não compra no Brasil. A China está comprando o Brasil". O desdem com os chineses continuou quando, cinco meses depois, o chanceler bolsonarista Ernesto Araújo afirmou, durante aula magna a formandos do Itamaraty, que o Brasil não iria "vender sua alma" para "exportar minério de ferro e soja" para a China comunista.

Em um dos trechos da carta endereçada ao filho do presidente, Li Yang questiona e alfineta Eduardo Balsonaro. “Você é realmente tão ingênuo e ignorante? Como deputado federal da República Federativa do Brasil que possui alguma experiência em tratar dos assuntos internacionais, você deveria saber que os vírus que causam pandemia são inimigos comuns do ser humano, e a comunidade internacional nunca chama os vírus pelo nome de um país ou região para evitar a estigmatização e a discriminação contra qualquer grupo étnico específico”.


RETALIAÇÃO CHINESA JÁ É REALIDADE

O governo chinês prepara-se para aumentar as importações de soja dos Estados Unidos e reduzir as do Brasil, como retaliação aos seguidos ataques do governo Bolsonaro ao país durante a crise do coronavírus. Decisão do governo chinês comprova que ataques de Abraham Weintraub e Eduardo Bolsonaro à China atendem apenas aos interesses dos Estados Unidos – e não do Brasil. Com isso, os ruralistas, que ajudaram a colocar Bolsonaro no poder, serão prejudicados porque, na prática, colocaram um governo que serve a interesses internacionais – e não do Brasil.



Segundo o jornalista Nelson de Sá, na Folha de S.Paulo o diário Xin Jing Bao, de Pequim, noticiou no sábado (4) uma coletiva sobre "segurança e suprimento alimentar" de um diretor do ministério chinês da agricultura, convocada porque "muitas pessoas se preocupam que a soja importada do Brasil venha a ser afetada". Wei Baigang afirmou que "as importações do Brasil não foram afetadas em março", mas que as importações dos EUA devem crescer", agora que "a primeira fase do acordo comercial sino-americano foi implementada".


A China é o principal importador de produtos agrícolas brasileiros. O valor das aquisições pelo país asiático foi US$ 31,01 bilhões em 2019, de acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em sgundo lugar ficaram os Estados Unidos (US$ 7,18 bilhões). De acordo com a agência de notícias chinesa Xinhua, em levantamento que envolveu 13 correspondentes na América Latina, o número de confirmações de coronavírus gira em torno de 30 mil na América Latina, sendo mais de um terço no Brasil, que tem pelo menos 11,2 mil e 489 mortes provocadas pela doença. 


A SÓRDIDA PIRATARIA DOS EUA

Os Estados Unidos estão sendo acusados de "pirataria moderna", após alegações de que o país interceptou entregas de insumos médicos de emergência para o combate ao coronavírus que já haviam sido pagos por outros países, oferecendo valores maiores do que os negociados para levar os produtos.


Na sexta-feira (3/4), a Alemanha acusou os Estados Unidos de confiscar milhares de máscaras de proteção que já tinham sido pagas por autoridades de Berlim, segundo a imprensa alemã. O ministro do Interior do estado de Berlim, Andreas Geisel, disse que oficiais americanos interceptaram 200 mil máscaras de proteção N95 produzidas pela 3M enquanto elas estavam sendo transferidas entre voos na Tailândia, que já tinham sido pagas pela Alemanha e seriam usadas por policiais. Geisel fez um apelo ao governo federal da Alemanha para que pressione os Estados Unidos pelo cumprimento das regras internacionais de comércio.


"Essa não foi a primeira reclamação sobre a postura do governo dos EUA em relação à compra dos escassos insumos que são tão necessários para o combate à pandemia do novo coronavírus. Valérie Pécresse, presidente da região de Île-de-France, que inclui Paris, comparou a busca por suprimentos médicos a uma "caça ao tesouro". "Eu encontrei um estoque de máscaras disponíveis e os americanos - não estou falando do governo americano, mas sim de americanos - fizeram uma oferta mais alta do que a nossa. Eles ofereceram um valor três vezes maior e pagamento à vista. Eu não posso fazer isso. Estou gastando dinheiro do contribuinte e só posso pagar na entrega ao verificar a qualidade", disse Pécresse à BMFTV. Um avião carregado com respiradores para a Espanha foi bloqueado por autoridades turcas em Ancara, disse nesta sexta-feira a ministra de Relações Exteriores da Espanha, Arancha González Laya. Em coletiva de imprensa, Laya disse que o avião foi bloqueado pelo governo da Turquia em Ancara antes de embarcar com materiais comprados por várias localidades espanholas, "por preocupação [do governo turco] de poder abastecer seu próprio sistema sanitário".


Segundo o site de notícias espanhol El Mundo, Laya explicou que o governo turco impôs nos últimos dias restrições para a exportação de produtos médicos para "abastecer o seu próprio sistema sanitário diante desta epidemia". No entanto, a carga bloqueada havia sido fabricada na Turquia por encomenda de uma empresa espanhola que importou os componentes da China, informou a publicação.

CORONAVÍRUS E OS GOLPES À DEMOCRACIA

A crise mundial causada pelo coronavírus tende a ter um alcance temporal amplo e indefinido, escreveu Erick Kayser,

em um artigo publicado em fins de março para o site do Instituto Humanistas Unisinos. No texto, Kayser alertava para os riscos de profundos retrocessos democráticos, através do que poderíamos chamar de coronagolpe, que é o uso da pandemia para estabelecer governos ditatoriais. Confira abaixo, o artigo do mestre e doutorando em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.



Em um artigo que publiquei em fins de março no IHU, Coronagolpe ou como a pandemia pode ser usada para criar ditaduras, apontava, a partir do golpe promovido por Benjamin Netanyahu, fechando parlamento e tribunais israelenses e passando a concentrar poderes políticos excepcionais, poderia representar, em termos globais, um perigoso precedente. Infelizmente, poucos dia após a publicação deste artigo, alguns destes temores se confirmaram.


Na Hungria, o Parlamento aprovou, no dia 30 de março, uma lei que prolonga o estado de alarme de maneira indefinida para lutar contra o coronavírus. O Governo do ultradireitista Viktor Orbán criou uma aparência legitima, através de um legislativo manipulado, que permitirá que o Executivo tenha poderes extraordinários para governar por decreto e sem um limite temporal e controle algum, inclusive parlamentar. Poderá, por exemplo, prender jornalistas por publicarem notícias supostamente falsas, ficado a critério de Orbán definir o que é verdadeiro ou falso.


Nas Filipinas, o presidente autoritário Rodrigo Duterte, utilizou a pandemia para endurecer e provocar um fechamento ainda maior do regime. Além de impor um draconiano toque de recolher e controle de circulação das pessoas, tem utilizado a crise para promover a perseguição e prisão de opositores, sob o pretexto de “combater aglomerações”. A imprensa internacional aponta que, em poucos dias, pelo menos 14 mil pessoas já foram detidas nestas condições. Além disso, a violência do Estado assumiu dimensões ainda mais duras, chegando a situação grotesca de Duterte afirmar publicamente que ordenou que policiais e militares atirassem para matar naquelas pessoas que rompessem a quarentena durante o toque de recolher.


Filipinas e Hungria são países que já viviam processos de desdemocratização. Com a pandemia, o Coronagolpe parece vir para sepultar, definitivamente, o que ainda lhes restava de democracia.


MAIS DE CEM ENTIDADES DENUNCIAM OMISSÃO DE BOLSONARO

Diante da omissão do governo do presidente Jair Bolsonaro, mais de cem entidades apresentaram medidas

para proteger a a população brasileira, controlando a pandemia, salvando a vida de pacientes e restabelecendo

as atividades econômicas no país.



A Presidência da República não tem exercido o papel que lhe cabe de coordenar o enfrentamento da pandemia com medidas sanitárias e com políticas públicas que garantam uma renda mínima aos trabalhadores e a capacidade das empresas, principalmente as micro, pequenas e médias, de sobreviverem e honrarem seus compromissos.


A Presidência da República tem se colocado contra a política de isolamento social recomendada pela Organização Mundial da Saúde e hoje adotada pela maioria dos países, incitando a população a romper o isolamento social e aumentando o risco de expansão da pandemia.


Diante da irresponsabilidade da Presidência da República, os Estados e Municípios brasileiros têm assumido a liderança na orientação e proteção da população, e o Congresso tem se tornado o espaço de iniciativas para a proteção social. Dentre elas, a criação de uma renda emergencial para os trabalhadores autônomos, desempregados e microempreendedores individuais.


A irresponsabilidade da Presidência da República e a falta de diretrizes do Ministério da Economia, ambos responsáveis por uma política de redução da renda da população e dos recursos do Estado, são agravadas pela disputa política do governo federal com governos estaduais, com os quais deveria estar cooperando.


Em vários países do mundo, muitos deles com PIBs inferiores ao brasileiro e com governos de diferentes orientações políticas, o poder executivo nacional já iniciou a implantação de medidas efetivas para o enfrentamento da pandemia em curso.


No Brasil, frente às atitudes insensatas do governo federal, consideramos indispensável a criação de uma Comissão de Salvação Nacional, composta pelos governadores de todas as unidades da Federação e prefeitos dos maiores Municípios, imbuída do compromisso de atender a toda a população brasileira, sob a orientação das autoridades sanitárias, e capaz de mobilizar todas as instâncias públicas em articulação com as organizações da sociedade civil, independentemente de partidos e credos.


LEIA AQUI AS PROPOSTAS E AS ENTIDADES QUE ASSINAM


EPISÓDIO 1 - PANDEMIA DE SOLIDARIEDADE AJUDA A COMBATER A FOME E AMENIZA A INEFICIÊNCIA DO PODER PÚBLICO

EPISÓDIO 2 - O VÍRUS DA FOME É INVISÍVEL E SILENCIOSO

EPISÓDIO 3 - SOLIDARIEDADE EM FAMÍLIA NA CONFECÇÃO DE MÁSCARAS DE PROTEÇÃO PARA TRABALHADORES DA SAÚDE

EPISÓDIO 4 - MUNDO EM TRANSFORMAÇÃO EXPÕE AS DESIGUALDADES E QUESTIONA A CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZAS


EPISÓDIO 5 - CONTRADIÇÕES HUMANAS: SOLIDARIEDADE E EGOÍSMO

EPISÓDIO 6 - NADA SERÁ COMO JÁ FOI UM DIA

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