OPERAÇÃO PLACEBO EVIDENCIA QUEDA DE BRAÇO ENTRE BOLSONARO E MORO PELA DISPUTA DO COMANDO DA PF DO RJ

Ao deflagrar a operação Placebo fica cada vez mais evidente o real objetivo da queda de braço, entre o presidente Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, pela troca do comando na Polícia Federal do Rio de Janeiro. Na manhã desta terça-feira (26/5), a Polícia Federal deflagrou uma operação que teve como alvo endereços relacionados ao governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), com objetivo de apurar indícios de desvios de recursos destinados à saúde e ao combate à covid-19 no estado do Rio. No total, formam cumpridos 12 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Rio de Janeiro e também no estado de São Paulo. No Rio, as buscas foram realizadas no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e na casa de Witzel no Grajaú, zona norte da cidade, onde ele morava antes de ser eleito. 

Em nota, o governador do Rio disse que não há nenhum tipo de autoria sua em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e que "está devidamente oficializada" a interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) após mudanças no comando da Polícia Federal. "Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará. Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos", disse o governador. 


ZAMBELLI ANTECIPOU A OPERAÇÃO

Antes que a operação ocorresse na manhã da última segunda-feira (25), alguns deputados aliados de Bolsonaro comemoraram publicamente a ação da PF, como foi o caso da deputada Carla Zambelli (PSL-SP). Aliada do presidente Jair Bolsonaro, durante entrevista a Rádio Gaúcha ela adiantou que a Polícia Federal estava prestes a deflagrar operações nos estados contra desvios na área da saúde. Ex-aliada de Moro, Zambelli disse que algumas operações da PF que estavam “na agulha” e começaram a ser executadas depois da saída do ex-ministro. A deputada mencionou uma operação que, segundo ela, se chamaria “Covidão”, em referência ao Covid-19 e à pandemia de coronavírus.


Há cerca de duas semanas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) levantou o nome de Witzel, após outra operação da PF que prendeu o ex-subsecretário estadual de saúde Gabriell Neves e o empresário Mário Peixoto, que mantinha contratos com o governo do estado. Peixoto é um nome presente nos acordos de prestação de serviço desde os governos de Sérgio Cabral (MDB), atualmente preso em Bangu 8. O deputado Alessandro Molon (RJ), líder do PSB na Câmara, chamou a atenção para o vazamento de informações sobre a ação e disse que vai pedir que o Ministério Público investigue se houve abuso de poder ou uso político por parte da Polícia Federal. “Bolsonaro quer usar a Polícia Federal como um braço policial seu, que obedeça a seus comandos, a fim de proteger familiares e amigos, e atacar desafetos. Denúncias de desvios de dinheiro público são graves e devem ser investigadas com rigor. Porém, a operação deflagrada hoje foi adiantada ontem por uma de suas maiores aliadas, o que indica que a interferência do presidente na PF está sendo bem-sucedida", disse o parlamentar do PSB.


"TSUNAMI" PARA CIMA DE WITZEL

O senador Flávio Bolsonaro intimidou o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, em transmissão ao vivo no Instagram nesta terça-feira (26). Flávio ainda mostrou ter conhecimento dos supostos desvios de verba cometidos por Witzel, além de chamá-lo de traidor. O senador também prometeu um "tsunami" para cima do governador. "Jamais ia imaginar que você ia ser mais um dos traidores que seriam derrubados um a um. Você traiu todo mundo, Witzel. E vai precisar de tempo para se defender. Pelo que tenho ouvido, isso não é nada perto do tsunami que está por vir. Falam que você começou numa velocidade... O Rio de Janeiro quebrado e você foi lá, 'raspar o osso'. Não tenho informação de bastidor, é assunto de botequim. Acho que sua estratégia talvez seja essa: fingir que é maluco para não ir para Bangu 8".


FLÁVIO JÁ DEVERIA ESTAR PRESO

Após a operação da Polícia Federal ser desencadeada, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, classificou a operação como um "ato de violência" contra o Estado Democrático. "A narrativa construída é absolutamente fantasiosa. Todas as irregularidades estão sendo investigadas por determinação minha", continuou. O governador criticou a família Bolsonaro e lamentou que a PF engaveta inquéritos e vaza informações. "Senador Flávio Bolsonaro, com todas as provas que temos contra ele, lavagem de dinheiro, já deveria estar preso", enfatizou.


Wilson Witzel fez referência também à revelação do empresário Paulo marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro, que afirmou ter provas para comprovar as acusações de que o parlamentar foi informado previamente por um delegado da Polícia Federal que o seu então assessor, Fabrício Queiroz, seria alvo de uma operação, postergada para favorecer a candidatura de Jair Bolsonaro em 2018. Queiroz está envolvido em um esquema de lavagem de dinheiro que ocorria na Assembleia Legislativa do Rio quando o filho de Jair Bolsonaro era deputado estadual. Queiroz movimentou R$ 7 mihões em de 2014 a 2017, de acordo com relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

"PF deveria fazer seu trabalho com a mesma celeridade com que passou a fazer aqui no Rio de Janeiro porque o presidente acredita que eu estou perseguindo a família dele, e ele só tem a alternativa de me perseguir", disse. De acordo com o governador, as acusações são "levianas". "Está se iniciando um ato de perseguição política no País. O que aconteceu comigo vai acontecer com outros governadores considerados inimigos", acrescentou. 

BOLSONARO DEFENDE FILHO BANDIDO

Em setembro do ano passado, os senadores Flávio Bolsonaro e Major Olímpio trocaram insultos e palavrões por telefone antes do filho do presidente embarcar para a China. Na ocasião, o Major soltou o verbo: “Essa negociação com centrão por cargo. Essa safadeza que nós estamos tanto lutando contra.

Nesta terça-feira (26/5), foi a vez do senador atacoar o presidente. Em um áudio de WhattsApp, o senador do PSL-SP chamou Bolsonaro (Sem Partido-RJ) de traidor e disse que brigou com ele “porque não queria que eu assinasse a CPI da Lava Toga do STF para proteger filho bandido”. Olímpio disse também que não vai disputar reeleição a nenhum cargo após concluir o seu mandato no Senado.


No áudio, o senador respondia a críticas de policiais que estariam dizendo que ele mudou seu posicionamento após ser eleito. “Não me desviei absolutamente nada dos meus princípios, das minhas convicções ou de tudo o que, junto com Jair Bolsonaro, nos propusemos na campanha. Quem está se desviando dos princípios é o Jair Bolsonaro”. “Isso de palavrão em reunião é tudo besteira. O que eu estou enojado mesmo é com comportamentos que ele [o presidente da República] adotou e vem adotando. Essa negociação com centrão por cargo. Essa safadeza que nós tanto lutamos contra. […] Eu estou tão enojado com a política, do que eu vi, do que eu senti, do que não estou concordando, que eu não quero mais disputar eleição para nada. Vejo lamentavelmente alguns policiais dizendo: o major é traíra. Não, o major não é traíra com nada. Quem está traindo, tropeçando nas palavras, é o próprio Bolsonaro.”


“Mas não quero mais discutir isso. Vou terminar o mandato de senador com dignidade. Não quero mais disputar eleições. Acabou a pretensão de disputar o Governo de SP. Tomara que os policiais, tão sofridos na mão do PSDB e dessa turma toda aí, possam encontrar um representante digno. Eu tô pendurando as chuteiras.”


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PAULO TIMM NA VALE DO MAMPITUBA WEB RÁDIO - DAS 8H ÀS 10H

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