O RACISMO DE RAMIREZ E MANO MENEZES NÃO TEM MAIS ESPAÇO NO FUTEBOL E EM NENHUM LUGAR DO MUNDO


Durante o jogo entre Flamengo e Bahia, válido pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, realizada no domingo (20/12) o meio-campo Gerson, da equipe rubro-negra carioca, afirmou que o meia-atacante colombiano Ramirez disse a ele: "Cala a boca, negro". Indignado, Gerson se deslocou em direção ao árbitro e relatou o caso. A partida foi interrompida momentaneamente. Da beira do campo, o técnico do Bahia disse que era "malandragem", referindo-se à atitude do meia flamenguista. Gerson pediu respeito ao técnico adversário. A acusação foi registrada na súmula do jogo, apesar de o árbitro Flavio Rodrigues de Souza ter declarado que não presenciou o episódio.


Após a partida, o flamenguista relatou à imprensa o que havia acontecido. Gerson estava visivelmente abalado, semblante triste. As palavras proferidas por Mano Menezes causaram a sua demissão. O Bahia decidiu afastar o jogador do elenco após o incidente, enquanto os fatos são investigados. A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito, nesta segunda-feira (21/12), para investigar o caso de injúria racial sofrida pelo meia do Flamengo. Além do inquérito policial, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) também deve apurar o caso.

"O Ramirez, quando a gente tomou o segundo gol, o Bruno Henrique fingiu que ia chutar uma bola, ele reclamou com o Bruno, e eu fui falar com ele, e ele falou bem assim para mim: "Cala a boca, negro". Eu nunca sofri. Mas isso eu não aceito. Eu nunca falei de treinador, mas o Mano tem que saber respeitar. Estou vindo falando em nome de todos os negros do Brasil", disse ao Premiere.

Leia abaixo o texto postado por Gerson

O "cala boca, negro" é justamente o que não vai mais acontecer. Seguiremos lutando por igualdade e respeito no futebol - o que faltou hoje do lado contrário. Desde os meus 8 anos, quando iniciei minha trajetória no futebol, ouço, as vezes só por olhares, o “cala a boca, negro”. E eles não conseguiram. Não será agora.


"Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista". Não adianta ter o discurso, fazer campanha, e não colocar em prática em todos os aspectos da vida, inclusive dentro de campo. O futebol não é algo fora da sociedade e um ambiente onde barbaridades como o “cala a boca, negro” podem ser aceitas.


É uma pena nós, negros, termos que falar sobre isso semanalmente e nenhuma atitude no esporte ser tomada a respeito. E é mais triste ainda ver a conivência de outras pessoas que estão dentro de campo e que minimizaram e diminuíram o peso do ato de hoje no Maracanã. É nojento conviver com o racismo e ainda mais com os que minimizam esse crime.


Não vou "calar a minha boca". A minha luta, a luta dos negros, não vai parar. E repito: é chato sempre termos que falar sobre racismo e nada ser feito pelas autoridades.


Racismo é crime. E deve ser tratado desta maneira em todos os ambientes, inclusive no futebol.


Não me calaram na vida, não me calaram em campo e jamais vão diminuir a nossa cor.