O DIA QUE ENTREVISTEI EDUARDO GALEANO: O CAVALEIRO ANDANTE CONTRA OS MOINHOS DA GLOBALIZAÇÃO


Eduardo Galeano completaria 80 anos na próxima quinta-feira, dia 3 de setembro. O jornalista e escritor uruguaio, que nasceu em 1940, em Montevidéu, nos deixou no dia 13 abril de 2015, aos 74 anos, após lutar contra um câncer de pulmão. Galeano é autor de "As veias abertas da América Latina", obra lançada em 1971, traduzida para dezenas de idiomas e que foi proibida na Argentina, Brasil, Chile e no próprio Uruguai. No ano que vem o livro completa meio século, tendo sido um dos mais vendidos durante os anos 70 e 80. Na obra, Eduardo Galeano analisa a história da América Latina desde o período da colonização europeia até a Idade contemporânea, argumentando contra a exploração econômica e a dominação política do continente, primeiramente pelos europeus e seus descendentes e, mais tarde, pelos Estados Unidos.


Durante o golpe militar no Uruguai, em 1973, Eduardo Galeano foi preso. Para fugir da cadeia, se exilou na Argentina. No país vizinho, chegou a lançar o livro “Crisis”, mas em 1976, outro golpe militar, dessa vez liderado pelo general Jorge Videla, coloca novamente sua vida em risco. O nome do escritor vai parar na lista dos esquadrões da morte, que executavam opositores ao regime na Argentina. Se refugia na Espanha e só retorna ao Uruguai em 1985, quando da redemocratização do país. No Uruguai, Eduardo Galeano foi chefe de redação do semanário "Marcha", na década de 1960, e diretor do jornal "Época". Aos 14 anos, já vendia suas primeiras charges políticas para jornais uruguaios, entre eles o El Sol, do Partido Socialista.


Recebeu o prêmio Casa de Las Américas em 1975 e 1978, e o prêmio Aloa, promovido pelas casas editoras dinamarquesas, em 1993. A trilogia "Memória do fogo" foi premiada pelo Ministério da Cultura do Uruguai e recebeu o American Book Award (Washington University, EUA) em 1989.

HISTÓRIA DE UMA ENTREVISTA "ROUBADA"

Em março de 2001, durante o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, tive a oportunidade de entrevistar Eduardo Galeano para a revista Continente Multicultural, com sede em Recife, em Pernambuco. Não foi uma entrevista fácil. Muito pelo contrário. Foi a entrevista mais difícil que já fiz. A pauta tratava dos 30 anos do livro "As Veias Abertas da América Latina", entre outros temas. Acompanhado do fotógrafo René Cabrales, nos dirigimos para o local onde o escritor faria sua conferência no Fórum Social Mundial.

Auditório lotado, pessoas amontoadas e sentadas pelo chão. Assim que Galeano terminou sua exposição me aproximei, ágil e com desenvoltura. Porém, quando estava a um metro de distância do escritor, senti o peso de duas mãos gigantes contra o meu peito. Os seguranças do evento foram irredutíveis. E Galeano se foi, sumiu e me deixou com um gravador na mão, um bloquinho com garranchos e uma caneta quase sem tinta. Era um freela e o pessoal da revista já havia depositado o valor pelo trabalho que eu ainda não havia feito. Para piorar a situação, eu já havia até gasto a grana. Diante do cenário desolador, não me restou outra alternativa a não ser descobrir onde Eduardo Galeano estava hospedado e fazer uma vigília. Na manhã seguinte, lá estava eu no saguão do Plaza São Rafael à procura do renomado escritor uruguaio. O hotel estava lotado, percorri cada uma das meses no ambiente reservado para o café da manhã e nada de avistar Galeano. Então, próximo das 10 horas, horário que presumi como sendo o ideal para a entrevista, evitando quaisquer incômodos para o escritor, pedi para a recepção ligar para o seu quarto.


Me identifiquei e comecei a explicar que se tratava de um freela para a revista... Não consegui nem completar a frase... Eduardo Galeano gritou, me xingou e disse que não daria entrevista alguma, desligando o telefone de forma abrupta. Naquele momento, entrei em desespero. Toda minha admiração pela história de lutas do escritor e jornalista, se transformaram em raiva e decepção. Fui para casa frustrado, triste, desolado, quase em lágrimas.


A persistência não é um dom, no caso de jornalistas é obrigação. Então surgiu uma luz, uma esperança. Rapidamente montei um "jacaré", na época ainda era uma forma comum para gravar entrevistas por telefone. Respirei fundo, tomei coragem e liguei para o hotel, pedindo que o funcionário passasse a ligação para o quarto do escritor. Me identifiquei como periodista do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul.


Meu espanhol é péssimo, mesmo assim expliquei que estava fazendo uma matéria ... No ouro lado da linha, ouvi apenas um suspiro, demonstrando uma fadiga às minhas argumentações. E Galeano disse que eu deveria ser breve, pois precisava descansar. Fiz apenas duas perguntas e quando tentei fazer a terceira fui interrompido, desta vez de forma educada.


Prontamente, me desculpei e me despedi.


Naquele momento eu já estava eufórico, mas ainda tinha em mãos perguntas sem respostas.


Deixei passar 30 minutos e liguei novamente para o hotel, solicitando que me passassem para o quarto do escritor. Novamente Galeano atendeu. Então, mudei de voz, tornando-a mais grave e seca e me identifiquei como jornalista de uma entidade de presos e desaparecidos políticos durante a ditadura. Expliquei que precisava fazer duas ou três perguntas rápidas ... Nem terminei de argumentar e ele começou a falar. Não parecia o mesmo Galeano que horas antes havia me xingado de forma acintosa.


Respondeu duas perguntas, mas interrompeu a entrevista, explicando que estava esperando uma ligação e não poderia dar prosseguimento à conversa.


Agradeci, mantendo aquele mesmo tom de voz e desliguei.


Reuni o material, uma parte escrita, outra gravada e me dei conta que faltava uma única pergunta a ser feita.


Depois de andar de um lado para outro da sala, decidi ligar novamente.


Após ter sido destratado pelo o uruguaio, o que mais poderia acontecer?


Jacaré no bocal do telefone, fios presos, gravador conectado e nova ligação para o quarto de Galeano, no Plaza. O escritor atendeu e quase sem querer mudei novamente a voz. Não consegui reproduzir aquele tom grave da segunda ligação e já nem lembrava mais de como havia falado na primeira vez.


Surgiu uma terceira voz e um terceiro personagem, desta vez com sotaque de gaúcho, bem marcado "tchê" e em volume alto, como se estivesse em um galpão junto à peonada. Expliquei a ele que as perguntas seriam usadas em um boletim do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e fui logo avisando que a entrevista teria de ser rápida, pois tinha que fazer uma matéria de uma outra conferência do FSM e não podia me demorar.


Do ouro lado da linha, o mais absoluto silêncio.


Então, Eduardo Galeano não se conteve e gargalhou. Não foi uma risadinha qualquer, tímida e contida. Galeano gargalhou a ponto de causar suspense sobre o que viria depois. Interpretei como se o escritor estivesse aceitando minhas desculpas pela insistência e também pela ousadia de ter apelado para personagens imaginários, criados por um repórter em pânico diante da possibilidade de perder a sua pauta.


Rimos da situação, fiz a última pergunta ao escritor e finalmente pude me identificar.


Novamente rimos, agradeci e Galeano confessou que havia desconfiado das ligações anteriores.


Porém, explicou que havia sido muito ríspido com um outro jornalista, logo cedo da manhã, e achou melhor me tratar bem.


Antes de desligar, ainda brincou: "nunca se sabe o que será publicado no dia seguinte".


Nos despedimos e desliguei o telefone. Permaneci um bom tempo em frente do aparelho,ainda com os fios e o jacaré. Estava paralisado, no mais completo silêncio, como se houvesse cometido um crime e ao mesmo tempo tentando conter a euforia diante de uma entrevista praticamente "roubada".


A entrevista foi transformada em matéria e publicada na edição de março de 2001 da Revista Continente Multicultural (veja as imagens abaixo).

O texto original, no formato pingue-pongue, ainda rendeu outro freela para o Versão dos Jornalistas - SINDJORS.


ENTREVISTA / EDUARDO GALEANO VERSÃO DOS JORNALISTAS TWITTER

A história é um profeta com olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi, anuncia o que será. Essa frase é do escritor uruguaio Eduardo Galeano e foi publicada na contracapa do livro As Veias Abertas da América Latina, que está completando 30 anos de seu lançamento em 1971. Em uma época que a maioria dos países latinos convivia com as mordaças das ditaduras militares, Galeano rompeu o silêncio e denunciou os instrumentos de espoliação, as injustiças à sombra do poder e o saque ao continente. Fatos, como ele mesmo diz, que insistem em se apresentar como obra do destino e do acaso.


Aos 60 anos, idolatrado pelas esquerdas, Galeano tornou-se símbolo de resistência à exploração dos povos oprimidos do continente latino-americano. Sua voz não cala e suas palavras continuam encantando leitores de todos os continentes. Durante a abertura do Fórum Social Mundial, a atriz Celina Alcântara subiu ao palco de seios à mostra e, cercada por desempregados e trabalhadores sem-terra, recitou uma crônica escrita por Galeano em 1998. A interpretação do texto O Direito ao Delírio, que fala de um século 21 sem pobres, guerras e meninos de rua, emocionou a platéia.


A capacidade que Galeano tem de encantar e de transmitir seus sonhos e a teimosia em querer transformar o mundo levaram mais de 700 pessoas a disputar um lugar no Teatro da PUC, durante a sua palestra no FSM. Todos queriam ver o autor com quem compartilham planos, frustrações e esperanças. Em sua primeira frase o escritor já arrancou aplausos: “Se podemos organizar toda essa gente aqui, somos mesmo capazes de tudo”, referindo-se ao princípio de tumulto causado pela superlotação do auditório. Em seguida, leu uma série de crônicas suas, onde retrata as dores e os projetos da humanidade e a barbárie dos tempos que instituíram “o medo global”.


O jornalista e escritor Eduardo Hugbes Galeano nasceu no inverno de 1940, em Montevidéu. Aos 14 anos já publicava desenhos que assinava como “Gius”. Galeano fez de tudo: foi mensageiro, desenhista, peão em fábrica de inseticida, cobrador, taquígrafo, caixa de banco, diagramador, editor e peregrino pelos caminhos da América. Em Montevidéu dirigiu um semanário chamado Marcha e foi diretor do jornal Época.


Preso pelo regime militar uruguaio, em 1973 começa seu exílio na Espanha. Transfere-se para a Argentina, onde funda a revista Crisis com Julio Cortázar, escritor e jornalista argentino. Em 1985, após 12 anos de exílio, Galeano retorna ao Uruguai. Para ele, as lembranças dos regimes militares ainda lhe causam muita dor. Quando ocorreu o golpe na Argentina, em março de 1976, vários de seus companheiros desapareceram e outros foram torturados. Nessa época, o escritor de Veias Abertas corria risco de vida, pois seu nome fazia parte de uma lista de procurados.


Em uma entrevista, o escritor disse que a única maneira para a brutalidade das ditaduras não se repetir é manter a história viva. Ele conversou com o jornalista Alexandre Costa.


Versão dos Jornalistas - Quais as perspectivas para América Latina, passados 30 anos da publicação de Veias Abertas?

Eduardo Galeano - A América Latina empobreceu, perdeu sua soberania e diminuiu sua autonomia, ao mesmo tempo em que o sistema neoliberal global foi se articulando e tornando-se unânime, alimentando-se das desigualdades, que são cada vez maiores. Por isso, a América Latina tem um imenso desafio e vamos ver como reage frente a ele. Poderá ser uma cópia do mundo desenvolvido e dos países que nos governam ou poderá seguir o seu próprio caminho, o caminho das suas próprias esperanças. Esse é o desafio que está diante de nós. E eu acredito que o melhor que temos no mundo é a quantidade de mundos existentes, as diferentes culturas e as mais variadas formas das coletividades se expressarem. Ou nos afirmamos com nossos próprios ideais ou vamos nos converter em uma sociedade que aceita a história oficial, nos tornando uma caricatura dos países ricos, que roubam nossa memória e as nossas riquezas. Posso dizer que a situação da América Latina hoje piorou em relação aos 30 anos que se passaram, desde a publicação de Veias Abertas.


Versão dos Jornalista - Como o senhor vê o neoliberalismo e a globalização?

Eduardo Galeano - O sistema de poder vende a si mesmo como eterno, o amanhã é outro nome de hoje, e nos convida à aceitação como modo de vida. Estamos paralisados por este sistema de poder. É assim porque assim será e nós estamos nos acostumando a esta eternidade e aceitamos tudo como se fosse inevitável. Estamos cada vez mais prisioneiros do dinheiro. A globalização, para além do comércio internacional, nos impõe uma cultura universal que se apóia no medo. Esse é um mundo paralisado pelo medo que impede de nos mover, até de tomar medidas que eventualmente não sejam aceitas pelo FMI. Nunca o mundo havia sido tão desigual nas oportunidades que oferece e tão igual nos costumes que impõe. O símbolo perfeito é o McDonald’s. Aconteceu a “mcdonaldização” do mundo. De certa forma, os pobres comem melhor que os ricos, que aceitam essa comida de plástico.


Versão dos Jornalista - O Movimento Zapatista seria um exemplo para romper estas desigualdades?

Eduardo Galeano - Trata-se de um movimento muito importante, que alcançou a justa repercussão internacional. Começou como uma sublevação local de camponeses que se cansaram dos abusos e rapidamente se espalhou pelo país. A história do México está dividida em antes e depois de Chiapas e um dos motivos para isso é que o movimento faz um enlace entre o passado e o presente. Marcos não é indígena e havia ido a Chiapas para ensinar - uma dessas contradições da esquerda, influenciadas talvez pela idéia da ilustração. Humilde, percebeu que ele é quem tinha muito a aprender com a cultura maia, bastante misteriosa para nós e segundo a qual fomos criados pelo tempo e somos filhos dos dias. E ele foi capaz de projetar a reivindicação de Chiapas numa linguagem clara. Acima de tudo, ele tem senso de amor e de humor, coisa que em geral falta à esquerda.


Versão dos Jornalista - E Cuba?

Eduardo Galeano - Cuba é um país com o qual eu tenho uma longa relação de amor. Cuba simboliza a dignidade. Mas isso não quer dizer que eu não tenha críticas e divergências ao sistema cubano. A minha relação com Cuba é muito verdadeira. E os amigos de verdade fazem críticas de frente. Eu penso que a onipotência do Estado não é a melhor resposta para a onipotência do mercado.


Versão dos Jornalista -Como envolver e integrar os movimentos populares da América Latina?

Eduardo Galeano - Da mesma forma com que estão aqui reunidos em Porto Alegre para o Fórum Social Mundial.


Versão dos Jornalista - Na sua opinião, o genocídio na América Latina continua?

Eduardo Galeano - Os países que mais armas vendem ao mundo são os mesmos países que têm a seu cargo a paz mundial. Felizmente para eles, a ameaça da paz está se debilitando e o mercado de guerra se recupera e oferece promissora perspectiva de rendas e de carnicerias ao sul do mundo. Este é um mundo criminalmente organizado. Mata-se muito à bala, vende-se cada vez mais armas. De acordo com números de organismos internacionais é possível afirmar que se o mundo dedicasse 12 dias, apenas 12 dias, do dinheiro que gasta em armamentos para ajudar as crianças pobres do planeta, estas crianças poderiam ter escola, assistência médica e comida. Portanto não se mata apenas à bala. Mata-se também de fome e de doenças curáveis. E não se matam só os corpos, mas também a alma. Há corpos a andar por aí sem vida. E matam o ar, a água e a terra. E matam o mundo.


Versão dos Jornalista - Fale um pouco do Plano Colômbia.

Eduardo Galeano - Na edição da revista Time de outubro de 1998, publicou-se matéria sobre a lavagem de 100 milhões de narcodólares de Raul Salinas, chamado senhor vinte por cento, porque é o que ele leva em cada operação do governo. Um relatório do Senado norte-americano mostrava que a operação havia sido feita pelo City Bank. A pergunta é: por acaso o City Bank foi preso? Quem vai preso são os negros e pobres, porque a luta contra as drogas é a máscara da guerra social. Trata-se de conter qualquer foco de rebelião e o grande exemplo é o Plano Colômbia. Os narcotraficantes são fiéis seguidores do neoliberalismo: onde há demanda, surge a oferta. E os grandes traficantes ou bancos que lavam dinheiro gozam da maior impunidade. Mas quem são os grandes traficantes dos Estados Unidos? Será que eles não existem? Só prendem grandes traficantes na Colômbia, na Bolívia, no México. E nos Estados Unidos, não existem grandes traficantes? Por isso, esta é uma guerra contra os pobres e somente contra os pobres.


MATÉRIA PARA A REVISTA CONTINENTE MULTICULTURAL

https://issuu.com/revistacontinente/docs/003_-_mar_01_-_niemeyer

CAPA

Ainda em solo espanhol, Galeano iniciou “Memória do fogo”, uma trilogia sobre a História das Américas. Passando pelos povos pré-colombianos até o recuo das ditaduras militares na região, Galeano leva para as páginas personagens como generais, artistas e revolucionários. A história americana é contatada por meio de pequenos textos sobre ações que mudaram o modo de encarar a vida no continente.

Em 1999, Galeano foi o primeiro autor homenageado com o prêmio à Liberdade Cultural, da Lannan Foundation (Novo México). É autor de "De pernas pro ar", "Dias e noites de amor e de guerra", "Futebol ao sol e à sombra", "O livro dos abraços", "Memória do fogo" (que engloba "Os nascimentos", "As caras e as máscaras" e "O século do vento"), "Mulheres", "As palavras andantes", "Vagamundo", "As veias abertas da América Latina" e "Os filhos dos dias".


Bibliografia Completa

* Guatemala, país ocupado (1967) * As veias abertas da América Latina (1971) - Editora Paz e Terra * Vagamundo e outros relatos - (contos) * A Canção de nossa gente (1976) - Romance, Editora Paz e Terra. * Dias e noites de amor e de guerra (1978) - Editora Paz e Terra. * Memória do fogo (I) - Os nascimentos - Editora L&PM * Memória do fogo (II) As caras e as máscaras - Editora L&PM * Memória do fogo (III) O ciclo do vento - Editora L&PM * O livro dos abraços (1989) - Editora L&PM * Nós dizemos não (1989) - Crônicas, Editora Revan * Ser como Eles (1993) - Crônicas, Editora Revan * Palavras Andantes (1993) - Editora L&PM * Futebol ao Sol e a Sombra (1995) - Editora L&PM * Las aventuras de los jóvenes dioses (1998) - Patas arriba * De Pernas Pro Ar, A escola do mundo ao avesso (1999) - Editora L&PM.