DO GOLPE DE 2016 À ELEIÇÃO DE BOLSONARO, BRASIL MERGULHOU EM UMA CRISE ECONÔMICA SEM PRECEDENTES

por Alexandre Costa (*)

O Brasil enfrenta uma das piores e mais conturbadas crises da sua história. Não bastasse a pandemia de coronavírus, as feridas políticas abertas desde o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff ainda não cicatrizaram, desestabilizando a economia e gerando consequências dramáticas para os mais pobres. A recessão, que era apenas uma ameaça ao país comandado pela presidenta petista, passou a caminhar com passos mais largos durante o governo Temer, disparando de vez com Bolsonaro, principalmente devido à inoperância e à falta de iniciativas para conter o avanço da covid-19. O país contabiliza quase 210 mil mortes em função do vírus e o desemprego atinge mais de 14 milhões de brasileiros.


Um levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e publicado pelo jornal Estado de S. Paulo, na sexta-feira (16/1), revela que a recessão fez o Brasil perder 17 fábricas por dia. "Entre 2015 e 2020, o país perdeu 36,6 mil estabelecimentos industriais. A extinção de unidades reflete perdas na produção da indústria, que opera 18,4% abaixo do pico de março de 2011. Entre os estados, São Paulo registrou o fechamento de 7.312 plantas, o que representa 7% de redução. Os números indicam um crescente processo de desindustrialização, o que ficou evidenciado com a saída da Ford do Brasil.


Entre 2003 e 2014, nos governos Lula e Dilma, marcados pela expansão do mercado interno e da renda do trabalhador, o Brasil ganhou 127 mil novas unidades industriais, saltando de 257,7 mil para 384,7 mil fábricas. O estudo mostra que o país perdeu 359.345 indústrias apenas em 2018, uma queda de 6,6% no total de unidades.


BRASIL SOFRE COM IMPEACHMENT A partir de 2015, a democracia sucumbiu diante da construção do impeachment, que reuniu partidos de direita, forças conservadas, grande imprensa e parte do Judiciário. Desde aquele ano, o Brasil perdeu 17 fábricas por dia, ao longo de quatro anos, e o número atual é de apenas 348,1 mil unidades industriais. Ao todo, 25.376 unidades industriais encerraram suas atividades de 2015 a 2018.


ECONOMIA DESPENCOU COM BOLSONARO

Com a eleição de Jair Bolsonaro, a economia do Brasil despencou e, de acordo com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o país ficará na12ª posição no ranking mundial, atrás do Canadá, Coreia do Sul e Rússia, que ficaram melhor posicionados, na nona, na décima e na 11ª posição, respectivamente. Em 2019, primeiro ano de Bolsonaro no poder, o Brasil caiu para nona posição entre as 10 maiores economias do mundo, atrás de EUA, China, Japão, Alemanha, Índia, Reino Unido, França e Itália. Em 2020, o país deve descer até a 12ª posição, em função da retração do PIB (Produto Interno Bruto) e da desvalorização do real diante do dólar.


ECONOMIA CRESCEU COM LULA E DILMA Em 2002, no último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o Brasil era a 13ª economia do ranking global. O desenvolvimento econômico do país durante os governo dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff elevaram o Brasil à 6ª posição, em 2011, ficando à frente inclusive da Grã-Bretanha. De 2012 a 2014, o Brasil ocupou a sétima posição no ranking, passando para oitavo lugar entre 2015 e 2018.


DESEMPREGO O número de brasileiros desempregados, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, divulgado pelo IBGE no final de dezembro de 2020, ultrapassou 14 milhões. Desde que Jair Bolsonaro assumiu a presidência, o número aumentou em dois milhões de desempregados. Na comparação com outubro, a alta de 2% elevou para 14,2% a taxa de desocupação, batendo também a alta anterior. A variação, contudo, não é “estatisticamente significativa” frente ao mês anterior, segundo o IBGE, quando o nível de desemprego fechou em 14,1%.


COR, GÊNERO E IDADE

Entre as mulheres, a taxa de desocupação foi de 17,2%, maior que a dos homens, que fechou em 11,9%. Pretos e pardos também representaram 16,5% do desemprego, um aumento de 0,3 pontos percentuais, frente aos brancos, com 11,5%, que manteve uma taxa inalterada pelo quarto mês consecutivo. Na avaliação por idade, o IBGE também identificou entre os jovens, de 14 a 29 anos, os maiores índices de desemprego, com 24,2%. Os dados confirmam que o desemprego no Brasil tem gênero, raça e idade. A tendência é de resultados ainda piores para o início de 2021.


De acordo com os pesquisadores, o fim do auxílio emergencial deverá levar mais pessoas a procurar trabalho. As duas regiões com os maiores percentuais de domicílios recebendo o auxílio emergencial, Norte (57%) e Nordeste (55,3%), já concentram as maiores taxas de desocupação do país. A região Norte manteve 15,4% dos desempregados, enquanto que o Nordeste passou de 17,3%, em outubro, para 17,8% em novembro. O nível de desocupação nas demais regiões chega a 14,3% no Sudeste, 12,2% no Centro-Oeste e 9,3% no Sul.


(*) Alexandre Costa é jornalista, responsável pelo www.esquinademocratica.com