DEPOIMENTO DE LOBISTA SOBRE ENVOLVIMENTO DE CIRO GOMES COM MARCUS VALÉRIO GERA POLÊMICA NA ESQUERDA


O site Diário do Centro do Mundo divulgou, na quinta-feira (16/7), um vídeo em que o lobista Nilton Monteiro acusa Ciro Gomes (candidato a presidente do Brasil em 2018 pelo PDT) de receber dinheiro do publicitário Marcos Valério. Nilton Monteiro denunciou lista de Furnas, ficou preso por sete meses e garante que Valério entregava dinheiro a tesoureiro de Ciro. cabe lembrar que Marcos Valério foi preso pelo envolvimento no esquema do Mensalão. O site todosciro.com afirma que a publicação do Diário do Centro do Mundo é fake news. No dia seguinte (17/7), o DCM publicou

VEJA O VÍDEO DO DCM

A RESPOSTA DE CIRO

Mais uma vez a máquina de mentiras decide atacar Ciro Gomes. Mas ao invés de vir da ala bolsonarista, agora a mentira vem da mídia lulopetista. Em publicação efetuada hoje, dia 16 de julho de 2020, o blog DCM publicou trecho de entrevista com o lobista Nilton Monteiro. Na publicação, o DCM afirma que “Ciro tem direito de fazer crítica política, mas não acusação sem prova”, o texto segue e afirma que “é hora de responder a uma acusação grave, que dorme em uma gaveta do Judiciário: em delação, Marcos Valério contou que o dinheiro da corrupção em Minas Gerais, do tempo de Aécio Neves, beneficiou Ciro Gomes.” Decidimos investigar a informação do lobista. Encontramos um link do site da Câmara dos Deputados. Na publicação, o site afirma que havia se enganado ao publicar uma notícia anteriormente, pede desculpas pelo erro e publica uma correção afirmando que “Diferentemente do que a Agência Câmara divulgou na manhã de hoje, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares não afirmou que o empresário Marcos Valério pagou dívidas de campanha do então candidato à Presidência Ciro Gomes.”


DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO


Conhecido por fazer acusações graves e muitas vezes sem provas contra seus adversários, Ciro Gomes silenciou quanto à notícia de que recebeu dinheiro do caixa 2 operado por Marcos Valério. Mas sua máquina de difamação, hoje bastante presente na rede social, logo entrou em movimento, com acusação de que o DCM havia publicado fake news.

É um expediente manjado por grupos políticos que preferem acusar a ter de se explicar. Donald Trump nos EUA e Jair Bolsonaro no Brasil são os políticos mais conhecidos por usar esse expediente. O blog O Cafezinho, que no passado já defendeu causas públicas e desde a campanha de 2018 faz propaganda de Ciro Gomes, sintetizou o ataque, com uma arte em que carimbava o selo fake news na capa da live transmitida pelo YouTube.


Propaganda, não jornalismo. Se houvesse preocupação de apurar a notícia, um caminho para seu editor, Miguel do Rosário, seria procurar a Polícia Civil ou o Ministério Público de Minas Gerais.


Se a porta não se lhe abrisse, poderia tentar contato com os advogados de Marcos Valério ou com personagens que também frequentaram o submundo da política mineira, como o lobista Nílton Monteiro.


Mas isso dá trabalho e não proporciona retorno financeiro. Pelo contrário. Exige investimento. De tempo e também de recursos.


Hoje, Ciro Gomes compartilhou um vídeo em que o presidente do PDT, Carlos Lupi, ataca o DCM com os mesmos argumentos e propaga inverdades.

A primeira dela é que a publicação do DCM é fake news. A outra é a fala leviana de que o DCM tem vínculos com o PT.

De onde Lupi tirou isso? Do discurso de Ciro Gomes de que existe um gabinete do ódio da esquerda?


Se perseguir nesta linha, Lupi e Ciro vão precisar de mais argumentos. A trajetória de seus profissionais, a começar pelos fundadores do site, Paulo e Kiko Nogueira, fala por si.


O que mais importa aqui, no entanto, é rebater as mentiras que a máquina cirista contou para lançar uma cortina de fumaça sobre a delação de Marcos Valério.


A primeira é que a delação não merece crédito, já que Marcos Valério teria acusado o próprio Lula de mandar matar Celso Daniel.


Isso sim é fake news e foi desmascarada em outubro do ano passado, quando a revista Veja publicou reportagem de capa em que distorceu o conteúdo da delação de Valério.


Estava de férias com minha mulher no Uruguai quando o delegado Rodrigo Bossi de Pinho me enviou mensagens por WhatsApp.


Eu havia entrevistado o delegado longamente um mês e meio antes, em sua casa, em que ele, sem quebrar o sigilo da delação, me contou sobre como investigou a máquina de poder e corrupção em Minas Gerais.


A entrevista, solicitada por mim, foi a última que ele deu. Em estado avançado de um câncer muito agressivo, Bossi de Pinho viria a morrer três meses e meio depois.


Foram 14 horas de conversa, com algumas horas de gravação — a maior parte ainda está inédita.

A capa da Veja sobre a morte de Celso Daniel o indignou.


Na semana seguinte, seria realizado o julgamento sobre a prisão em segunda instância, e ele tinha a certeza de que a revista estava empenhada em tentar criar um falso escândalo para influir no resultado do julgamento, que alcançaria Lula, na época preso.


“O Marcos Valério nunca afirmou que Lula é o mandante do assassinato de Celso Daniel”, afirmou. ”Ele disse que o Ronan (Maria Pinto, empresário do setor de transporte em Santo André) ameaçava dizer que foi ele. São coisas completamente diferentes”, acrescentou.


O delegado deu detalhes da operação político-midiática que tentou envolvê-lo na farsa. “A Veja está querendo influir no julgamento da segunda instância, e nessa farsa posso dizer, com certeza, que há a ação de Mara Gabrilli”, afirmou, em referência à senadora do PSDB por São Paulo.


“Mara Gabrilli me ligou diversas vezes essa semana, tentando me influenciar a liberar o vídeo da oitiva. Não dei”, completou. “Sabia que eles estavam tentando influenciar no julgamento do STF”, finalizou.


Marcos Valério contou ao delegado Rodrigo Bossi de Pinho a quem deu dinheiro e por que

O site cirista e o presidente do PDT também tentam criar confusão a partir de uma notícia publicada em agosto de 2005 pelo site da Câmara dos Deputados.


A nota seria a retificação de uma notícia publicada anteriormente, que atribui a Delúbio Soares a declaração na CPI de que ele teria dito que Marcos Valério pagou dívida da campanha de Ciro Gomes a presidente.


O título, “Correção/Valério não pagou campanha de Ciro”, não traduz o conteúdo da nota.


Na retificação, é transcrito o trecho em que Delúbio é questionado pelo deputado Julio Redecker, do PSDB do Rio Grande do Sul.


— Ciro Gomes disse que esse dinheiro é para o Lula. Eu só quero que o senhor diga: o dinheiro é para o Lula ou para a campanha do Ciro Gomes? — pergunta o deputado.

Delúbio Soares responde:

— Posso explicar?

Deputado:

— Só quero saber pra qual dos dois que era…

Delúbio:

— Foi para a campanha… O Ciro Gomes apoiou o Lula no segundo turno…

Deputado:

— Para o Ciro Gomes ou para o Lula? Porque o Ciro diz que foi para Lula.

Delúbio:

— O Einhart (coordenador de marketing da campanha de Ciro Gomes, Einhart Jacome da Paz), junto com o Duda Mendonça, prestou um serviço e fez a cobrança e depois foi pago…

Deputado:

— Mas não é isso o que eu perguntei. É para o Lula o dinheiro ou é para o Ciro?

Delúbio:

— A campanha foi feita no segundo turno…

Deputado:

— Mas isso aqui foi um acerto para pagar os restos de campanha da campanha do Ciro? Foi para o Ciro pagar as despesas de campanha que ele tinha tido no primeiro turno ou foi para as despesas de campanha do Lula? É só isso que eu quero saber.

Delúbio:

— Foi uma despesa que o Einhart fez, eu só tomei conhecimento depois…

Deputado:

— Mas o senhor mandou pagar….

Delúbio:

— Claro que mandei pagar…

Deputado:

— Para quem que era o pagamento, era para o Lula ou para o Ciro?

Delúbio:

—Para o Einhart. Ele trabalhou paralelamente ali com o Duda ali para fazer as imagens do Ciro no segundo turno…

Deputado:

— Então, era para o Lula ou para o Ciro, eu só quero saber se foi acerto para pagar a campanha do Ciro no primeiro turno ou para o Lula?

Delúbio:

— Foi acerto para pagar a despesa de imagem que o Ciro teve no segundo turno, foi isso.

Deputado:

— O Lula?

Delúbio:

O Ciro…

Deputado:

— O Ciro não concorreu no segundo turno…

Delúbio:

Mas teve gravação de programa de televisão, toda a equipe, desmontar equipe…

Deputado:

— Então, foi para campanha do Lula, porque, se foi para pagar imagem da participação, então é para a campanha do Lula…

Delúbio:

— Como o senhor quer analisar…

O senador Amir Lando, que presidia a Comissão, fez uma pergunta adicional, já que a resposta de Delúbio era evasiva, o que revela que o tema era espinhoso, já que Ciro Gomes, à época, era ministro da Integração Regional no governo Lula.

O senador perguntou:

— O que o senhor quer dizer é que foi para o senhor Ciro pagar as despesas da campanha para presidente …

Delúbio concluiu:

— No segundo turno.


Portanto, o título da matéria não correspondia ao texto. O jornalista que assina a nota é identificado pelas iniciais WS.

Eu o localizei. Trata-se de Wilson de Paula Silva, servidor concursado. Na época, ele era editor da Agência Câmara. Hoje, o expediente do site o identifica como coordenador.


Wilson concordou que o título estava impreciso, não correspondia à notícia, e disse não se recordar a razão. “Não entendo por que o título é tão taxativo”, afirmou.


Disse que não se recordava de nenhuma pressão política. “Normalmente, quando retificamos a matéria, é porque alguém reclamou. No caso, deve ter sido alguém ligado ao Ciro”, comentou.


“Em geral, avaliamos e, se considerarmos a crítica pertinente, fazemos a correção. Mas concordo: o título não era para ser tão taxativo”, afirmou.


Ele disse, no entanto, que faria a alteração, o que acabou ocorrendo às 21h20 desta sexta-feira, 17 de julho. O título passou a ser: “Correção/ Delúbio não disse que Valério pagou dívidas de campanha de Ciro”.


Na nova versão, colocou um texto de atualização:

“O título desta matéria foi alterado em 17/7/20 porque estava impreciso. O título original dizia: Correção/ Valério não pagou campanha de Ciro. Em 2005, os títulos da Agência Câmara tinham um limite pequeno de caracteres e não foi possível explicar com precisão a correção que estava sendo feita.”

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