DE ACORDO COM TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, GOVERNO BOLSONARO TEM 6.157 MILITARES

O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou na sexta-feira (31/7), um levantamento sobre a quantidade de militares da ativa e da reserva que ocupam cargos civis no governo federal. O número mais do que dobrou nos dois primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro.

A parte de baixo da Esplanada dos Ministérios e cercada por concertina, um arame farpado com lâminas instalada pelo Exército para reforço da segurança para posse presidencial.


JORNA JÁ - Em 2018, havia 2.765 militares em cargos civis do governo federal. Em 2019, o número chegou a 3.515 cargos destinados a servidores oriundos da caserna. Em 2020, o total chegou a 6.157, um aumento de 122%. É a primeira vez que um levantamento oficial mostra o grau de militarização do governo Bolsonaro. Um dos maiores aumentos ocorreu entre militares que passaram a ocupar cargos comissionados. Em 2016 eram 1.965, em 2018 caiu para 1.934. Já no primeiro ano do governo Bolsonaro, a quantidade subiu para 2.324, um aumento de 20%. Neste ano, são 2.643 militares ocupando esses cargos, ou 34,5% a mais.

O TCU ainda aponta que cresceu também a presença de militares em conselhos de administração de estatais, função pela qual recebem pagamentos adicionais, e em “cargos na alta administração do Poder Executivo”. Oito militares estão nessas posições, conforme o TCU. Nenhum as ocupou em 2016, 2017, 2018 e 2019, afirma o tribunal. O levantamento pode ser incompleto porque o tribunal não teve acesso às bases de dados de toda as estatais. O levantamento sobre a presença de militares no governo Bolsonaro foi feito a pedido do ministro Bruno Dantas. Os dados foram repassados ao presidente do TCU, ministro José Mucio Monteiro, e então enviados aos gabinetes de todos os ministros do tribunal.

O subprocurador Lucas Rocha Furtado fez o pedido em meio a críticas à presença dos militares no governo. De acordo com Furtado, o trecho da Constituição que autoriza o uso de militares da ativa em cargos civis principalmente para “melhorar o atendimento a populações de regiões de fronteira e distantes dos grandes centros urbanos”.

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