BOLSONARO IGNORA PANDEMIA DO CORONAVÍRUS E CONVOCA CARREATAS PARA SUSPENDER O ISOLAMENTO SOCIAL


Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro promoveram diversas carreatas pelo Brasil, nesta sexta-feira (27/3), como forma de protesto ao isolamento social e a paralisação quase que total do comércio no país. Bolsonaro ignora as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde, que preconiza o isolamento como a forma mais eficiente para reduzir o número de mortes e de infectados. Na terça-feira (24/3) à noite, o presidente fez pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV e defendeu a suspensão ou flexibilização do isolamento social e a retomada imediata das atividades, como forma de proteger a economia do país.


Os apoiadores do presidente defendem a adoção do isolamento vertical, que restringe a circulação das pessoas mais vulneráveis ao vírus, que são aquelas com mais de 60 anos e/ou que se encaixam nos chamados grupos de risco. Em muitas cidades, o clima ficou tenso, entre os grupos que defendem as medidas preventivas e preconizadas por medicos e pesquisadores do mundo inteiro e os apoiadores do presidente que defendem o fim da quarentena, como forma de evitar maiores prejuízos à economia.


Bolsonaro está travando uma verdadeira guerra no Brasil, principalmente após os decretos de governadores que interromperam as atividades econômicas para tentar reduzir a transmissão do coronavírus pelo país. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa’, defendeu em rede nacional de TV na terça-feira 24. O pronunciamento foi alvo de um intenso panelaço, recebeu duras críticas de especialistas e acirrou a disputa política que vem travando com os governadores estaduais, que adotaram o isolamento em massa.


CAMPANHA CRIMINOSA

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) entrou com uma ação no Tribunal de Contas da União contra o governo federal, por conta da campanha publicitária “Brasil não pode parar”, que custou R$ 4,8 milhões aos cofres públicos, e que pedirá que a população interrompa a quarentena e saia às ruas, em meio à pandemia do coronavírus, que já provocou 77 mortes no país, além de 2,9 mil contaminações. “A atitude de Bolsonaro e de seu ministro de Comunicação é criminosa, porque tenta colocar uma parte da população contra os profissionais de saúde, especialistas e autoridades sanitárias, que estão preocupados em salvar vidas”, explica Padilha, que lembra de uma campanha similar feita pela prefeitura de Milão, na Itália, um dos países mais atingidos pela doença.


“É duplamente criminosa porque ela é quase uma cópia de uma campanha feita pela prefeitura de Milão. E o prefeito de Milão ontem pediu desculpas por essa campanha, depois de acumular mortes e caixões. Ela é criminosa porque utiliza recursos públicos que deveriam estar sendo utilizados para comprar máscaras, kits de diagnósticos ou recursos para os hospitais”, aponta.


Para o deputado, Bolsonaro se equivoca quando tenta antagonizar lucro de empresas com a saúde da população.“Ela (a campanha) é criminosa porque tenta fazer uma polarização entre salvar vidas ou a economia. Temos que fazer uma campanha em que o Brasil tem que viver, que a vida não pode parar, que a vida tem que ser preservada, que a vida tem que ser defendida. Por isso, entramos com ação no TCU e vamos entrar com ação popular, para que essa campanha seja proibida e os recursos gastos sejam recuperados.”


ISOLAMENTO VERTICAL É CONDENADO POR ESPECIALISTAS

Contratada após decreto emergencial do governo federal, a campanha “Brasil não pode parar” fará a divulgação do "isolamento vertical" defendido por Jair Bolsonaro, que consiste em priorizar a quarentena para grupos de riscos e idosos, liberando os demais para voltarem à rotina de trabalho. Condenada por especialistas, a tese poderá ir ao ar ainda no próximo final de semana, mas já estaria, de acordo com a revista Época, circulando em grupos de Whatsapp da militância bolsonarista. “Para os pacientes das mais diversas doenças e os heróicos profissionais de saúde que deles cuidam, para os brasileiros contaminados pelo coronavírus, para todos que dependem de atendimento e da chegada de remédios e equipamentos, o Brasil não pode parar. Para quem defende a vida dos brasileiros e as condições para que todos vivam com qualidade, saúde e dignidade, o Brasil não pode parar", afirma o locutor da campanha. 

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Jornalista Responsável - Alexandre Costa (mtb -7587)