AMEAÇADO DIANTE DE UM GIGANTE DE COTURNOS, TERÁ O BRASIL FORÇAS PARA EVITAR NOVOS ANOS DE CHUMBO?

O segundo episódio do especial A CERTEZA NA FRENTE E A HISTÓRIA NA MÃO traz à tona alguns depoimentos de quem viveu ou sobreviveu à ditadura militar no Brasil. A escolha do tema foi motivada principalmente pelos fatos ocorridos na sexta-feira (22/5) e que desencadearam uma desagradável turbulência no cenário político do país. A declaração ameaçadora do general Augusto Heleno, em represália ao pedido encaminhado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para uma possível investigação do celular do presidente, e a exaltação de Bolsonaro ao golpe de 1964, registrada no vídeo da polêmica reunião ministerial, evidenciam total desrespeito aos princípios republicanos e revelam a fragilidade da democracia brasileira. Diante do grave momento político, resta ao país assumir definitivamente a defesa do estado democrático de direito e viabilizar urgentemente o pedido de impeachment de Jair Bolsonaro. Deslocados no tempo e no espaço, o presidente e seus ministros parecem personagens daquele período triste, nefasto e criminoso da nossa história.

Como jornalista, me sinto na obrigação de prestar um breve esclarecimento. Não é comum misturar situações da vida pessoal a fatos e notícias. Porém, como sempre, existem as exceções. O primeiro vídeo postado aqui, neste segundo episódio do especial A CERTEZA NA FRENTE E A HISTÓRIA NA MÃO, é uma exceção, pois se trata de uma manifestação do meu pai, o médico psiquiatra Bruno Mendonça Costa, em um registro feito quatro dias após o impeachment de Dilma Rousseff. O discurso do meu pai foi gravado no final da apresentação do grupo Roda-Viva, no Teatro de Arena, em Porto Alegre, na noite chuvosa daquele domingo, dia 4 de setembro de 2016. Com duração de pouco mais de seis minutos, o depoimento foi dirigido, principalmente, aos jovens que durante vários meses participaram de atividades em defesa da democracia e da luta contra o governo golpista de Michel Temer. Com orgulho, disponibilizo aqui o registro que fiz daquela emocionante manifestação feita pelo meu pai sobre a sua prisão, em 1971, e sobre as sessões de tortura, tanto no DOPS, em Porto Alegre, quanto na OBAN, em São Paulo. No próximo dia 12 de junho, meu pai completará 83 anos de vida e de resistência.

Outro vídeo que o www.esquinademocratica.com disponibiliza ao público no seu especial de 15 anos, é o registro do depoimento de Suzana Lisboa durante reunião da Comissão da Verdade da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. A atividade foi promovida pelo então deputado estadual Pedro Ruas (PSOL). A manifestação de Suzana foi realizada na segunda-feira, dia 9 de abril de 2018, exatamente dois dias após a prisão do ex-presidente Lula. Visivelmente abalada pelo fato, ela afirmou que em homenagem a LULA passava a se chamar Suzana LULA Lisboa. Durante o seu relato, o fato que mais chamou a atenção foi o seu questionamento em relação à impunidade dos crimes praticados na ditadura militar. "Nós esquecemos a Justiça, ela tinha que ter impedido que a direita se articulasse dessa forma. A impunidade nos crimes da ditadura inspira e alimenta os crimes que são cometidos contra os pobres e os marginalizados do nosso país", disse Suzana.

Ao que tudo indica, o gigante acordou e, em breve, o Brasil saberá se está diante de um pesadelo tal qual em 1964 ou se terá forças para evitar novos tempos daqueles mesmos e já bem conhecidos anos de chumbo.


ENTRE AQUI E LEIA O ESPECIAL - A CERTEZA NA FRENTE E A HISTÓRIA NA MÃO COLABORE COM O JORNALISMO LIVRE E INDEPENDENTE


rodapé ed.png