POLITIZAÇÃO, OMISSÃO DO ESTADO E IRRESPONSABILIDADE DO GOVERNO BOLSONARO NA PANDEMIA DE CORONAVÍRUS


A politização da pandemia no Brasil pode servir para justificar a omissão do estado, a ineficiência dos órgãos públicos, a ausência de políticas públicas e a irresponsabilidade das autoridades. Os números oficiais de mortes e de infectados podem estar muito abaixo da realidade, simplesmente porque sem testagem em grande escala é impossível colocar em prática qualquer planejamento para conter o avanço do vírus. O Brasil perdeu muito tempo com discussões que mais serviram a interesses políticos e partidários do que com ações efetivas para reter o avanço da Covid-19. Enquanto o país se ocupava com debates do tipo "ou salvamos vidas ou salvamos a economia", o vírus se alastrava com força e velocidade. O resultado está nos próprios dados, nos números de mortes e de infectados, na crise econômica, no desemprego, no crescimento da miséria e dos sérios problemas que o Brasil terá pela frente, em função dos seus dilemas e interesses políticos, sociais e econômicos.


Uma das críticas ao governo Bolsonaro está relacionada às decisões sobre ações e iniciativas para controlar o avanço da Covid-19. No início de abril, o Supremo Tribunal Federal decidiu que não compete à Presidência da República interferir nas decisões dos governos locais estaduais sobre restrição de serviços e circulação de pessoas durante a pandemia. O presidente já usou essa argumentação como uma defesa, afirmando não poderia agir devido à decisão judicial.


No entanto, o governo federal carrega sobre si uma série de erros graves em relação à proliferação do vírus. O maior deles, talvez, foi não ter adotado um lockdown, logo no início da pandemia. Outra questão está relacionado à falta de testagem, fato que é considerado determinante para o país ter chegado a atual situação. Porém, o mais grave em relação à incidência do governo em relação à pandemia vem do próprio presidente do Brasil, que minimizou os efeitos do vírus, dizendo que era uma gripezinha, incentivando milhões de pessoas a ignorar o que cientistas preconizavam. A cada fala de Bolsonaro, o índice de distanciamento social diminuía e o nível de infecção aumentava. Bolsonaro demitiu dois ministros da Saúde por discordarem dele em relação às recomendações para evitar a proliferação do vírus e pela insistência em adotar a cloroquina como medicação de combate à Covid-19, sendo que a própria comunidade médica e científica alertava para os efeitos colaterais e para a comprovada ineficiência da medicação para combater a doença.

Do ponto de vista econômico, o governo Bolsonaro também acumula críticas. A renda básica emergencial só foi viabilizada por decisão do Congresso Nacional, que criou o benefício de R$ 600 por três meses, enquanto o Executivo trabalhava com um auxílio hipotético de míseros R$ 300. Tão logo foi aprovado, Bolsonaro incorporou o auxílio ao seu discurso, de forma demagógica acusam seus opositores. Além disso, o presidente se tornou o maior vilão em nível mundial diante da pandemia de coronavírus, com a imagem muito desgastada e com a pior avaliação desgastada entre todos os presidentes e lideranças de país e nações do planeta.

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