A HISTÓRIA POLÍTICA DO BRASIL SE REPETE E O GOLPE DE 2016 NADA MAIS É QUE UMA VERSÃO MODERNA DE 1964

No terceiro episódio do especial A CERTEZA NA FRENTE E A HISTÓRIA NA MÃO, o www.esquinademocratica.com faz uma breve comparação sobre dois períodos muito semelhantes da história do país. A voz de Raul Ellwanger, os depoimentos do Procurador Regional da República Domingos Silveira, do então vice-reitor da Ufrgs Rui Vicente Oppermann e do militante histórico Paulo de Tarso Carneiro nos possibilitam traçar um paralelo entre 1964 e 2016, o que fica ainda mais compreensível na breve apresentação daqueles jovens e do teatro improvisado que, de forma sutil, retratou o sentimento de impotência durante os anos de chumbo no Brasil.


O mês de maio de 2020 faz parte de um tempo de medo e de incertezas. O cenário político do Brasil é cada vez mais caótico e estarrecedor. Enquanto milhares de pessoas morrem vítimas do coronavírus, o país agoniza entre a pandemia e o descompasso de Bolsonaro e seus milicos adestrados. Desde que assumiu a Presidência da República, Bolsonaro tenta sair da crise, mas a crise parece ser indissociável ao seu governo. E a cada dia ela se renova e se agrava.


Ameaçado por um eventual impeachment, vendo sua rejeição crescer a cada dia e com a imagem cada vez mais desgastada, Bolsonaro assume definitivamente a postura de um tirano. De certa forma, os fatos ocorridos na sexta-feira (22/5) demonstram como o seu governo funciona, seja pela divulgação do polêmico vídeo da reunião ministerial ou pela nota do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, que ameaça a democracia e fere os princípios republicanos.


A sensação é de que o Brasil acordou "mareado" nesta segunda-feira (25/5), diante da turbulência política, causada pelas palavras do presidente e pelo seu desejo de armar a população. Estes fatos são tão aterrorizadores quanto a notícia da carta recebida pelo general Heleno, em que militares apoiam a sua nota e alertam para uma “guerra civil” no Brasil, devido à falta de “decência, dignidade, honra, patriotismo e senso de justiça” do Supremo Tribunal Federal (STF).


Mas, infelizmente, é preciso dizer que o Brasil está colhendo o que plantou.


Os setores mais atrasados e conservadores desse país semearam o golpe que derrubou Dilma e foram apoiados por uma parcela da população que aderiu à narrativa da grande imprensa e a versão sobre o impeachment. A imprensa praticamente destruiu a imagem do PT, de Dilma, de Lula, dos partidos e das bandeiras de esquerda. Uma espécie de julgamento sem direito de defesa. Muitos fatos foram distorcidos para beneficiar grupos políticos e satisfazer seus interesses econômicos. Talvez nunca façam autocrítica ou meá-culpa em relação à interferência que tiveram no processo de desenvolvimento do país e na historia propriamente dita. Mas terão de conviver com a sombra dos seus atos e, consequentemente, com os caminhos que levaram à eleição de Bolsonaro e à atual situação política do país.


Em um piscar de olhos, é como se os lábios secassem e um gosto amargo de passado tomasse conta do país. A sensação é de que estamos diante de um pesadelo, de uma tempestade que parece não ter fim e que nos faz lembrar as águas turvas de 1964. Os vídeos que fazem parte deste terceiro episódio do especial A CERTEZA NA FRENTE E A HISTÓRIA NA MÃO são registros de um dos momentos mais importantes da resistência ao golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, ocorrido na tarde do dia 30 de março de 2016, quando a Universidade Federal do Rio Grande do Sul assumiu publicamente a defesa da democracia e a denúncia do golpe que estava em curso no país.


A manifestação no Salão de Atos da Ufrgs também será lembrada como um dos primeiros encontros da geração que lutou contra o golpe de 1964 e da juventude que meses mais tarde foi para as ruas, nas diversas atividades de resistência ao golpe de 2016. O músico Raul Ellwanger emocionou o público que lotou o Salão de Atos da Ufrgs, com a música "Eu Só Peço a Deus", sempre lembrada pelos presos políticos. As palavras de Paulo de Tarso Carneiro, integrantes da VAR Palmares, mesma organização da ex-presidenta Dilma Rousseff, nos fazem compreender melhor as semelhanças entre estes dois períodos da história.


Paulo foi preso e a democracia ficou trancafiada por 21 anos no Brasil. Em um intervalo de pouco mais de 50 anos, nos deparamos com uma triste realidade: o golpe de 2016 nada mais é que uma versão moderna de 1964.







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