BRASIL VIVE O CAOS, PROVOCADO PELO DESGOVERNO DE TEMER


O governo Temer não consegue terminar com a greve dos caminhoneiros e a decisão de colocar o Exército para desbloquear as estradas e reprimir o movimento não intimidou os manifestantes. O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, disse à imprensa que os caminhoneiros não vão sair das estradas e que haverá resistência. “Vai correr sangue nisso aí”, advertiu ele. Em alguns estados, o movimento cresceu com adesão da população, sejam de proprietários de automóveis ou de grupos organizados, como motociclistas, moto taxistas, motoboys, caminhões guinchos, entre outros.

Como não consegue acabar com o movimento e o bloqueio das rodovias, o governo Temer decidiu tomar outras medidas para intimidar os grevistas. O ministro Carlos Marun informou que o governo vai aplicar multas no valor de R$ 100 mil por hora parada para quem não cumprir a ordem de desbloqueio das rodovias. Também anunciou que haverá prisão para os líderes da greve.

PREJUÍZOS

A política de preços implantada por Parente na Petrobras, que prioriza investidores internacionais em detrimento dos interesses nacionais, provocou a greve dos caminhoneiros. Após o golpe que retirou Dilma Rousseff da Presidência do país, Pedro Parente assumiu o comando da estatal e deu início ao projeto de entrega do Pré-Sal para os grandes grupos petroleiros internacionais. Em pouco tempo, a Petrobras reduziu em cerca de 30% a produção de combustíveis das suas refinarias, abrindo o imenso mercado brasileiro para a importação de combustíveis.

O Brasil dobrou a importação de derivados norte-americanos, passando de 41% para 82%, e passou a exportar o óleo cru, ao invés de refiná-lo aqui mesmo, optando por comprar combustível mais caro das multinacionais. Com isso, o preço do óleo diesel no país subiu muito acima do preço internacional do produto (56% acima) e a gasolina no Brasil é a segunda mais cara do mundo.

No acumulado dos últimos 4 meses (jan/abr) deste ano, o Brasil já importou um total de US$ 2,39 bilhões em óleo diesel, um aumento de 58% sobre igual período do ano anterior. Na comparação com igual período de 2016, o aumento foi de 235%. Com o aumento dos preços do petróleo, a conta vai ficar cada vez mais cara para o Brasil, elevando o custo de produção de todos os produtos nacionais, visto que o principal meio de transporte de mercadorias usado no país ainda é o caminhão movido a diesel.

A política adotada pela Petrobras é absurda. Em reais, o Brasil gastou R$ 8,7 bilhões com a importação de óleo diesel, apenas nos 4 primeiros meses do ano. O país importou US$ 8 bilhões em derivados de petróleo, petróleo bruto, álcool e carvão, o que corresponde a R$ 29 bilhões. Esses números correspondem a cerca de 8 bilhões a mais do que o Executivo gastou com saúde pública no primeiro trimestre de 2018.

RISCO AOS PRODUTORES

Mas a política de preços implantada por Parente na Petrobras, que prioriza investidores internacionais em detrimento dos interesses nacionais, tornou o Brasil refém das multinacionais do petróleo. A greve dos caminhoneiros demonstra a fragilidade do país e a dependência que tem em relação ao óleo diesel e às estradas.

As consequências são caóticas e atingem vários setores da economia. Os criadores de frango e de suínos alertam para o risco dos animais ficarem sem alimentação. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que um bilhão de aves e 20 milhões de suínos podem morrer nos próximos dias devido à falta de ração, causada pela greve dos caminhoneiros.

Os bloqueios de estradas promovidos pelos caminhoneiros causaram prejuízos gigantescos também aos laticínios. A Cooperativa Agropecuária de Barra Mansa está desde quarta-feira sem coletar leite das vacas das mais de 500 fazendas dos seus cooperados. Com isso, deixa de coletar cerca de 130 mil litros de leite todos os dias e o prejuízo diário calculado pela empresa é de mais de R$ 200 mil, atingindo diretamente os produtores do sul do Rio de Janeiro e de alguns municípios de São Paulo.


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Jornalista Responsável - Alexandre Costa (mtb -7587)