CRÔNICA DE UM GOLPE EM CURSO: SEGUNDA-FEIRA AGITADA EM UM BRASIL EM EBULIÇÃO


Foto: Guilherme Santos/Sul21

O Brasil teve uma segunda-feira repleta de fatos que agitaram o cenário político do país. No final da manhã, o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), aceitou a solicitação da Advocacia Geral da União (AGU) e anulou a votação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, realizada no dia 17 de abril.

Em seguida, logo após a presidenta Dilma anunciar a criação de mais cinco universidades federais no país, em evento realizado no Palácio do Planalto, manifestante contrários ao impeachment ocuparam o Palácio do Planalto, dispostos a reagir ao golpe em curso no Brasil. Dilma reiterou sua disposição de lutar até o fim em defesa da democracia.

O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, solicitou que o Senado devolva o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff à Câmara. "Mantida posição da Câmara, fica impossibilitada a votação no Senado neste momento", disse Cardozo em entrevista coletiva.

Porém, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), rejeitou a decisão do presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), alegando se tratar de uma atitude "intempestiva" e de que o mesmo estaria “brincando com a democracia”. Apesar dos protestos dos senadores contrários ao impeachment, Calheiros determinou continuidade do processo e leitura do relatório da comissão especial.

O governo federal estuda recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que rejeitou a decisão do presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão, pela anulação do impeachment. O ministro da AGU, José Eduardo Cardozo, afirma que um eventual prosseguimento do processo pelo Senado estaria em absoluta desconformidade com a Constituição Federal. Já o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) já avisou que a bancada do partido enviará um recurso ao STF contra a leitura do parecer" do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) em plenário. O próprio Waldir Maranhão, responsável pela decisão, pretende recorrer da decisão de Renan.

Amanhã, terça-feira (10), em Porto Alegre e em diversas cidades do Estado, as entidades que integram a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo promovem atos, manifestações, paralisações e protestos contra o golpe. A votação no Senado, que poderá culminar no impeachment da presidenta Dilma, será realizada na quarta-feira, dia 11 de maio.

Os organizadores convocaram um Dia Nacional de Paralisações em defesa da democracia, dos direitos, trabalhistas, sociais e humanos e contra o golpe em curso no país. Estão previstas paralisações, atrasos de entrada no expediente, bloqueios de estradas e principais vias de acesso, passeatas, assembleias populares, ocupações de escolas e universidades, intervenções político-culturais e outras iniciativas das centrais sindicais e movimentos sociais do campo e da cidade.

Em Porto Alegre, haverá ato público, a partir das 17 horas, na Esquina Democrática, seguido de caminhada pelo centro da cidade.


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