PANDEMIA DE CORONAVÍRUS AVANÇA E GOVERNO BOLSONARO MERGULHA EM UMA CRISE POLÍTICA



Enquanto a pandemia de coronavírus avança rapidamente pelo Brasil, com o registro de 1.223 mortes e 22.169 infectados, o presidente Jair Bolsonaro segue na contramão do que preconiza a ciência e as pesquisas em todo o mundo. Além de contrariar as orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde, Bolsonaro intensifica a sua guerra insana contra o isolamento social. Com a imagem cada vez mais desgastada e com a credibilidade em queda livre, o presidente continua defendendo o imediato restabelecimento das atividades comerciais em todo país, atitude que coloca em risco a população brasileira. Desgovernado, o Brasil agoniza diante das batalhas diárias travadas pelo presidente Jair Bolsonaro contra o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Mais que expor a crise política, o presidente demonstra publicamente a sua total incapacidade para governar o país.


Durante entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo, no domingo à noite (12/4), o ministro da Saúde disse que os números e consequências da pandemia do novo coronavírus irão piorar muito. "Os meses de maio e junho trarão 60 dias muito duros", advertiu Mandetta. “Sabemos também desde o início que fizemos a projeção que a segunda quinzena de abril seria a quinzena que aumentaríamos e que o mês de maio e junho seriam os meses de maior estresse pro nosso sistema de saúde”, afirma. As diferenças de conduta entre o ministro da Saúde e o presidente da República também foram abordadas na entrevista. Questionado explicitamente sobre o fato de Bolsonaro “contrariar” recomendações na frente do próprio ministro, o ministro foi lacônico: “Ela (a relação com Bolsonaro) preocupa, porque a população olha e fala: mas será que o ministro é contra o presidente?”, responde, completando que o brasileiro “não se sabe” se ouve o ministro ou o presidente.


Mandetta teve demissão dada como certa no início da semana passada, depois de sucessivas declarações e ações de Jair Bolsonaro contrariando as orientações do ministério e da maioria dos governos estaduais. No sábado (11/4), Bolsonaro e Mandetta participaram de um ato político, ao lado do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), durante visita a obras de um hospital de campanha em Águas Lindas (GO). A atividade gerou grande aglomeração de pessoas e o presidente foi criticado pela maioria dos veículos de imprensa por causar riscos de contaminação à multidão ali presente.

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