CONFIRA IMAGENS E DEPOIMENTOS DE TRABALHADORES DE APLICATIVOS DURANTE A 1ª GREVE DO SETOR NO BRASIL

A quarta-feira, 1º de julho de 2020, entra para a história do Brasil como o dia da primeira greve geral dos trabalhadores que fazem entrega por aplicativos. De norte a sul do país, milhares de motoboys e ciclistas estão denunciando o regime de exploração dos aplicativos de entrega e reivindicando melhores condições de trabalho. Em Porto Alegre, os entregadores realizaram uma manifestação na Rua da Praia, no centro histórico da capital gaúcha. O Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito publicou uma nota de apoio à greve (leia o manifesto no final da matéria) e fez uma doação de mil reais ao movimento, em função do dia de paralisação e, consequentemente, de não ter a remuneração do dia.

foto: Volnei Piccolotto

imagens: Volnei Piccolotto


Além de não terem vínculo trabalhista com as empresas, os entregadores denunciam as péssimas condições de trabalho. Eles afirmam que os aplicativos não forneceram álcool em gel ou máscaras para se protegerem do coronavírus e que recebem apenas R$3,00 por uma corrida. Os trabalhadores alegam não receberem nenhuma proteção ou ter quaisquer tipo de plano de saúde, tendo em vista o risco que correm em função da exposição diante do trabalho que executam diariamente nas ruas das grandes cidades e das capitais dos estados em todo país. 


No início da manhã, trabalhadores manifestaram-se em São Luís (MA), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Distrito Federal (DF), Goiânia (GO), ABC paulista, Florianópolis (SC), Recife (PE), Campinas (SP), Guarulhos (SP), Salvador (BA), Campina Grande (PB) e Porto Alegre (RS). 


NOTA PÚBLICA COMITÊ EM DEFESA DA DEMOCRACIA


O Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito vem a público manifestar seu apoio ao movimento dos trabalhadores de aplicativos por melhores condições de trabalho.


As inovações tecnológicas, com a criação de empresas que prestam serviços por aplicativos, têm gerado intensas e injustas modificações nas relações de trabalho. No entanto, não foi estabelecida até agora uma regulamentação capaz de retirar da condição de desamparo um grande e crescente contingente de trabalhadores.


Com longas jornadas e baixa remuneração; sem vínculos empregatícios reconhecidos; sem auxílio para os gastos com o veículo próprio utilizado no trabalho, inclusive em caso de acidente durante a jornada; sem equipamentos de proteção individual e cobertura de pagamento em caso de doença e sem garantias previdenciárias, os entregadores de aplicativos estão realizando uma paralisação geral nesse dia primeiro de julho por melhores condições de trabalho.


Dentre as reivindicações, estão o aumento do valor das corridas e pacotes e o aumento da taxa mínima por entrega; o seguro contra roubo, de acidente e de vida; o auxílio pandemia (EPI e licença); o fim dos bloqueios e desligamentos arbitrários e da pontuação.


A gravidade da situação de desamparo dos trabalhadores de aplicativos levou o Comitê em Defesa da Democracia e do Estado Democrático de Direito a estabelecer o tema "Uberização, precarização e flexibilização do trabalho" para seu encontro virtual de “Debate de Conjuntura Econômica”, a ser realizado no dia 10 de julho próximo. O debate contará com a participação de pesquisadores e estudiosos do assunto e de um representante do movimento dos entregadores de aplicativos.


Tendo como bandeira central a defesa da democracia, o Comitê reafirma o compromisso assumido em sua fundação com um modelo de desenvolvimento do país com inclusão social, capaz de gerar empregos e proteger os trabalhadores, e, coerentemente com esse compromisso, manifesta publicamente seu apoio ao movimento dos entregadores de aplicativos.


TODO APOIO AO MOVIMENTO DOS ENTREGADORES DE APLICATIVOS! NO DIA PRIMEIRO DE JULHO, NÃO PEÇA ENTREGAS POR APPs!


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