COMITÊ POPULAR DA CRISE EDUCACIONAL DO RS EMITE NOTA SOBRE PROPOSTA DO GOVERNO PARA RETORNO ÀS AULAS

O Comitê Popular Estadual de Acompanhamento da Crise Educacional no Rio Grande do Sul emitiu uma nota na noite de terça-feira (11/8) manifestando a sua preocupação com a proposta apresentada pelo governador do estado Eduardo Leite para o retorno escalonado das aulas presenciais em todos os níveis de ensino. A nota afirma que a proposta vai na contramão das informações divulgadas no dia 30 de julho pelo próprio governo do estado e dos resultados de uma consulta feita com entidades educacionais sobre a retomada do ensino presencial no RS. O documento questiona a posição do governo e lembra que Eduardo Leite havia garantido que o retorno presencial das atividades de ensino aconteceria somente em um cenário de queda no número de pessoas infectadas e de óbitos no estado.

A foto é do arquivo da Associação Mães e Pais pela Democracia e foi registrada no dia 5 de dezembro de 2019, com as mais de 60 entidades do Frentaço pela Democracia, iniciativa para barrar o Projeto Escola Sem Partido em Porto Alegre.


NOTA SOBRE O CRONOGRAMA DE VOLTA ÀS AULAS PRESENCIAIS EM TODOS OS NÍVEIS DE ENSINO NO RS


O Comitê Popular Estadual de Acompanhamento da Crise Educacional no RS vem a público manifestar a sua preocupação com a informação divulgada hoje pela imprensa de um cronograma apresentado pelo governador do estado do RS, Eduardo Leite, para o retorno escalonado de volta às aulas presenciais em todos os níveis de ensino.


A proposta apresentada nesta terça-feira (11) vai na contramão das informações divulgadas no dia 30 de julho, quando foram apresentados os resultados de uma consulta feita com entidades educacionais sobre a retomada do ensino presencial no estado. Na ocasião, o Governador salientou que uma projeção sobre o retorno presencial das atividades de ensino somente seria realizada em um cenário de queda no número de pessoas infectadas e no de óbitos. No entanto, de acordo com o Boletim divulgado pelo Governo do Estado, a média de crescimento dos casos registrados no RS está entre as quatro (4) maiores do país, sendo mais de 87 mil pessoas infectadas e quase 2.500 mortes (https://ti.saude.rs.gov.br/covid19/).


Sendo assim, o contexto em que vivemos hoje, não permite nenhum tipo de projeção de retorno das atividades presenciais de ensino.


Além disso, os resultados de uma pesquisa realizada pelo Comitê junto à Associação de Mães e Pais pela Democracia, que estão sendo divulgados, apontam que as mães, pais e responsáveis consideram de suma importância dois aspectos: a redução dos casos por 14 dias e a existência de vacina gratuita e distribuída para todos. Além disso, os dados indicam que o retorno deve ocorrer quando for possível, a partir do Ensino Superior, sendo a Educação Infantil o último nível a retornar. Diante desses dados nos somamos as manifestações apresentadas em Nota Oficial pela UNDIME-RS e UNCME-RS para que a posição do Governo do Estado seja revista de forma que seja priorizado o direito à vida das comunidades escolares e acadêmicas do RS, sendo elas das redes públicas e privadas.


Portanto, ratificamos uma vez mais o posicionamento contrário a qualquer medida que seja tomada sem nenhum tipo de diálogo. Qualquer decisão sobre as condições de retorno às aulas presenciais deve ser deliberada com a participação de toda a comunidade escolar e acadêmica de nosso estado em articulação intersetorial com as áreas da economia, da saúde, da cultura, do lazer, da segurança, da assistência social e em acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e balizadas pela ciência. Para tanto, é fundamental a criação de mecanismos que assegurem a escuta, o envolvimento e a participação democrática das nossas comunidades escolares e acadêmicas.

Porto Alegre (RS)11 de agosto de 2020

COMITÊ POPULAR ESTADUAL DE ACOMPANHAMENTO DA CRISE EDUCACIONAL DO RS

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