BOLSONARO É DENUNCIADO POR AMEAÇA A JORNALISTA QUE PERGUNTA SOBRE DINHEIRO DE QUEIROZ PARA MICHELLE

A ameaça do presidente Jair Bolsonaro ao repórter do jornal O Globo no domingo (23/8), durante visita à Catedral de Brasília, teve repercussão gigantesca nas redes sociais e diversas entidades manifestaram repúdio à ameaça. “Estou com vontade de encher a tua boca na porrada, tá?”, reagiu o presidente à pergunta sobre os depósitos do ex-assessor Fabrício Queiroz que na conta de Michelle Bolsonaro. Os depósitos para a atual primeira-dama totalizam R$ 89 mil. O fato fez com que a deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) protocolasse uma denuncia contra o presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), por crime de constrangimento ilegal.

A parlamentar afirmou que Bolsonaro “é um delinquente contumaz” e que as agressões à liberdade de imprensa são recorrentes. Outra manifestação que aponta para a gravidade da ameaça cometida pelo presidente ao jornalista, foi feita pelo deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ). Ele ressaltou que a ameaça de agressão do presidente Bolsonaro é um crime contra o exercício de direitos individuais e se configura em improbidade administrativa. Ambos são considerados crimes de responsabilidade. A denúncia será acrescentada a um pedido de impeachment que foi apresentado pelo seu partido nesta segunda-feira (24/8).


A ameaça de Bolsonaro ao repórter gerou reação nas redes sociais. Desde ontem, mais de 1 milhão de internautas repudiaram a agressão do presidente e postaram mensagens repetindo a pergunta do jornalista: “Presidente @jairbolsonaro, por que sua esposa Michelle recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?”.


ENTIDADES REPUDIAM A AMEAÇA

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasi (OAB), Felipe Santa Cruz, afirmou ser “lamentável ver a volta do perfil autoritário que tanta apreensão causa nos democratas”. A Associação Brasileira de Imprensa afirmou que “mais uma vez o presidente Jair Bolsonaro choca o país com seu comportamento grosseiro”. “Tal comportamento mostra não apenas uma inaceitável falta de educação. É, também, uma tentativa de intimidação da imprensa, buscando impedir questionamentos incômodos”, declarou a ABI, em nota.


“Por fim, [a associação] lembra, ao primeiro mandatário do país que o cargo que ocupa exige maior decoro. Tenha compostura, senhor presidente”. Outra manifestação partiu de uma nota conjunta assinada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB e Repórteres sem Fronteiras. O texto diz que “um presidente ameaçar ou agredir fisicamente um jornalista é próprio de ditaduras, não de democracias”. “Tal comportamento inadmissível por parte de um presidente da República deveria ser condenado por todas as instituições e cidadãos comprometidos com a estabilidade e o progresso do Brasil.”


Já a Associação Nacional de Jornais (ANJ) disse que “e lamentável que mais uma vez o presidente reaja de forma agressiva e destemperada a uma pergunta de jornalista”. “Essa atitude em nada contribui com o ambiente democrático e de liberdade de imprensa previstos pela Constituição”, afirmou a associação em nota divulgada pelo O Globo. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) cobraram o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. “Ameaça é crime previsto no artigo 147 do Código Penal. Vindo de um presidente da República, que recebeu a incumbência e ainda fez o juramento de zelar pelo respeito à Constituição e às leis do país, torna-se um crime ainda mais grave. Até quando as instituições do país vão seguir fazendo vista grossa para um sem número de barbaridades e violações legais cometidas por este sujeito? Além de autoritário, Bolsonaro não sabe conviver com as regras mais básicas de uma sociedade civilizada e ainda demonstra um completo desequilíbrio emocional para estar à frente do cargo mais importante do país”, afirmou.

Em nota, o jornal O Globo repudiou a atitude do presidente da República e afirmou que Bolsonaro “desconsidera o dever de qualquer servidor público, não importa o cargo, de prestar contas à população”.


“O GLOBO repudia a agressão do presidente Jair Bolsonaro a um repórter do jornal que apenas exercia sua função, de forma totalmente profissional, neste domingo. […] Durante os governos de todos os presidentes, o GLOBO não se furtou a fazer as perguntas necessárias para cumprir o papel maior da imprensa, que é informar os cidadãos. E continuará a fazer as perguntas que precisarem ser feitas, neste e em todos os governos”, disse o jornal.

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