ATAQUES VIRTUAIS INTERROMPEM LANÇAMENTO DA PRÉ-CANDIDATURA DE FERNANDA MELCHIONNA E MÁRCIO CHAGAS


Um ataque virtual interrompeu a apresentação do programa de pré-candidatura de Fernanda Melchionna e Márcio Chagas, candidatos a prefeita e vice de Porto Alegre pelo PSOL, na noite desta sexta-feira (21/8). As novas tecnologias usadas pela extrema direita brasileira têm sido uma arma poderosa nas disputas políticas do país. Depois dos disparos de mensagens fake news pelo whatsapp, prática comum e muito usada pelos apoiadores do presidente Bolsonaro, agora a mais nova tática cibernética dos anônimos tem sido as invasões às chamadas "lives".


Em menos de uma semana, os ataques interromperam uma série de atividades políticas ou promovida por entidades sociais. A suspeita é de que as ações, que são cada vez mais frequentes nos últimos meses em todo o país, façam parte de uma onda liderada por organizações de extrema direita e que propagam ódio, misoginia, racismo e homofobia. Os ataques geralmente têm como alvo lideranças de partidos políticos, ongs, entidades, movimentos sociais e celebridades identificadas com as lutas por igualdade de direitos.


A coordenação da pré-candidatura de Melchionna e Chagas informou que os invasores anexaram à tela do evento mensagens homofóbicas e imagens do presidente Jair Bolsonaro portando armas, além de reproduzirem uma música com termos pejorativos direcionados aos partidos e militantes de esquerda. A deputada federal e pré-candidata à prefeitura alerta para o fato de que devido à pandemia, as atividades virtuais tornaram-se mais importantes e que cabe às autoridades investigarem quem são os autores, quais são os interesses e quem está por trás dos ataques.

ATAQUES A PARTIDOS E MOVIMENTOS SOCIAIS Em reunião da chapa UFPel Raiz, que concorre à Reitoria da Universidade Federal de Pelotas, nesta quinta-feira (20/8), hackers tentaram constranger os participantes com gritos, xingamentos motivados por violência de gênero e racismo. Na semana passada, Fernanda Melchionna participava de uma live da Articulação Nacional de Luta Contra a Aids juntamente com deputados do PT e PSDB e a reunião sofreu ataque semelhante. Na noite de quinta-feira (20), o lançamento da candidatura do PSOL no Rio de Janeiro também foi alvo desse tipo de invasão. Na madrugada da última sexta-feira, a ONG Somos – Comunicação, Saúde e Sexualidade, teve sua conta oficial no Instagram invadida e retirada do ar. No início da tarde, também no sábado, a live "Estratégias de Ação sobre o ensino remoto e as desigualdades socioespaciais", promovida pela Associação de Geógrafos Brasileiros, seção Porto Alegre, foi invadida da mesma forma. O ataque foi dirigido à presidenta da Associação Mães e Pais pela Democracia (AMPD), Aline Kerber, convidada para expor detalhes da pesquisa “Pais e professores – Educação na Pandemia de COVID-19".

ATAQUES A MARCHEZAN, AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE E À RBS

Além dos ataques registrados às lives, uma outra ação criminosa gerou indignação ao prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan, às duas agências de publicidade que prestam serviços à prefeitura, ao Grupo RBS e a jornalistas da empresa. Um vídeo apócrifo está circulando nas redes sociais com denúncias sobre os gastos da prefeitura em publicidade. O vídeo destaca que nos três primeiros anos da gestão de Marchezan, o grupo RBS recebeu mais de R$ 8 milhões dos cofres da prefeitura da capital gaúcha, sendo que R$ 6,6 milhões saíram do orçamento da saúde e são verbas do SUS. E alerta para o fato de que em apenas 20 dias foram gastos R$ 20 milhões em propaganda, sendo R$ 10,4 milhões destinados à RBS.

ATAQUES CIBERNÉTICOS EM TODO BRASIL

As atividades promovidas por movimentos e entidades progressistas e partidos de esquerda e centro-esquerda têm sido o principal alvo dos criminosos para disseminar ataques racistas, machistas e LGBTfóbicos. Na terça-feira (18/8), a vítima foi o pré-candidato a vereador William De Lucca (PT-SP), que foi atacado durante uma plenária virtual. Os criminosos apareceram na tela do computador e compartilharam vídeos com imagens horrendas de pornografia infantil, chocando as pessoas e proferindo ofensas LGBTfóbicas. O encontro virtual teve que ser interrompido. Na quarta-feira (19/8) uma aula online de Direito, da faculdade Esamc de Sorocaba (SP), foi invadida por um grupo extremista que publicou diversas imagens e símbolos ligados ao nazismo, além de enviar mensagens de ódio às mulheres e advogados negros. Já na quinta-feira (20/8) foi a vez da promotora de Justiça e coordenadora do núcleo de gênero do Ministério Público de São Paulo, Valéria Scarance, ser atacada pelos anônimos de extrema direita.


Em função da pandemia de coronavirus, a tendência é de que os candidatos transfiram a busca por votos para os ambientes virtuais, principalmente as redes sociais. Os crimes virtuais ocorridos recentemente devem servir de alerta às autoridades, aos partidos políticos, seus candidatos e também aos eleitores.

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