MAIS UM VÍDEO DA AÇÃO CRIMINOSA DA PM PAULISTA EM PARAISÓPOLIS


O jornalista André Caramante publicou um vídeo no twitter, contendo cenas da operação da Polícia Militar de São Paulo, realizada no domingo (1/12) na favela de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, e que resultou no assassinato de nove jovens e outras 20 pessoas feridas. As imagens confirmam que a operação da PM foi criminosa. Em um dos trechos do vídeo, é possível escutar nitidamente os berros de um dos policiais, anunciando que todos iriam morrer. A Ouvidoria das policias pediu o afastamento de seis policiais militares que participaram da ação em Paraisópolis.

A ação da PM paulista gerou indignação de norte a sul do Brasil e teve repercussão na imprensa internacional. Na noite de terça-feira (3/12), diversas entidades denunciaram a violência institucional por parte da PM e responsabilizaram o governo do estado pelas mortes em Paraisópolis, durante reunião organizada pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e com a presença de representantes da Assembleia Legislativa do estado, da Ordem dos Advogados do Brasil, da Defensoria Pública e da sociedade civil. As entidades decidiram criar o Comitê Massacre Nunca Mais, com objetivo de monitorar, acompanhar e coibir casos de violência do estado em áreas periféricas. Além disso, os desdobramentos das investigações do caso de Paraisópolis serão acompanhados por uma comissão.


Margarete Pedroso, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB/SP), afirmou que a instituição pretende cobrar um fórum permanente de observação da conduta policial. Ela ressaltou ainda que os ataques à periferia são uma política de estado. “Além do genocídio negro e do ataque à população periférica, há um ataque à cultura da periferia. Essa é uma política de Estado.”

DENÚNCIA DE MASSACRE E DE UMA NOVA FORMA DE ATUAÇÃO DA PM

O presidente do Condepe, Dimitri Sales, chamou atenção para o que parece ser uma nova forma de ação da Polícia Militar, sem o uso de armas de fogo e que dificulta a identificação dos responsáveis diretos. Ele ressaltou que sete pessoas morreram no local e que, portanto, os corpos não poderiam ter sido retirados sem perícia, o que configura alteração da cena do crime. “São nove vítimas que não foram alvo de arma de fogo. A impressão que nós temos é de que talvez tenha sido modificado o modo de atuação de agentes da segurança pública que têm agido fora da lei. Isso tende a complicar as investigações. Isso tende a impossibilitar a identificação dos autores de homicídios. Pode ser que estejamos vendo uma nova forma de extermínio e de massacre no estado de São Paulo”, explica Sales. O Condepe já pediu acesso aos laudos periciais e quer esclarecimentos sobre as afirmações de que dois homens em uma moto furaram um bloqueio policial a dispararam tiros, o que teria sido o estopim da ação policial. Foram requisitados os registros da suposta blitz, assim como os nomes de quem estava no comando da operação. Dimitri ressaltou que a ação em Paraisópolis foi deliberada e se utilizou de violência física e abuso de autoridade. "Não compreendemos que houve um acidente ou algo fora do percurso. Houve um massacre, cujos responsáveis diretos e indiretos – ou seja o comandante da operação, quem autorizou a ordem, e quem executou a ordem – devem ser identificados e rigorosamente punidos nos termos da lei", ressalta.

OUVIDORIA PEDE AFASTAMENTO DE SEIS POLICIAIS MILITARES

A Ouvidoria das policias pediu o afastamento de seis policiais militares que participaram da ação em Paraisópolis, por considerar que a ação foi precipitada. “Era uma ocorrência de controle de distúrbio civil, mas não havia distúrbio. Nós estamos avaliando, fundamentalmente do ponto de vista técnico, se foram seguidos os protocolos que a própria Polícia Militar tem com relação a ações de controle de distúrbio", afirmou o ouvidor Benedito Mariano.

VÍDEO DOS JORNALISTAS LIVRES EM PARAISÓPOLIS,

NO DIA DA AÇÃO CRIMINOSA DA PM PAULISTA

No facebook dos Jornalistas Livres, Katia Passos e Lucas Martins relataram a conversa que tiveram com moradores das duas vielas, "onde nove jovens foram mortos, durante uma emboscada da Polícia Militar, que tinha como objetivo "dispersar" um baile funk, manifestação cultural, legítima e de direito do povo". No texto publicado às 21h05min, no dia 1º de dezembro, fica a indagação: "Imaginem o sofrimento desses meninos e meninas que saíram de casa com o intuito de estar com os amigos, rir, dançar e se divertir? Publicamos em nossas plataformas outros vídeos que mostram esses momentos de massacre realizado por policiais na favela. Quantas vezes isso já pode ter acontecido nesses territórios? Quantas vítimas de violência policial temos na história do Brasil? Impossível saber. Hoje temos nove mortos, filhos de nove famílias que também morreram, mas que vão transformar o choro e a dor em combustível para cobrar e lutar até o final pelo que ainda resta a fazer: procurar encontrar os responsáveis por esse final infeliz, violento e massacrante de sofrimento físico dado ao jovens".

FOTOS DO PROTESTO DOS MORADORES DE PARAISÓPOLIS CONTRA

A AÇÃO DA PM, QUE RESULTOU NA MORTE DE 9 JOVENS E OUTROS 20 FERIDOS


rodapé ed.png