BLOGUEIRO É CONDUZIDO DE FORMA COERCITIVA PELA PF, COM AUTORIZAÇÃO DO JUIZ SÉRGIO MORO


O blogueiro Eduardo Guimarães, proprietário e responsável pelo Blog da Cidadania, foi levado a depor na manhã desta terça-feira (21/3) pela Polícia Federal, após ter sido alvo de um mandado de condução coercitiva - quando a pessoa é levada forçadamente a depor. A PF chegou às 6h em sua casa, no bairro do Paraíso. Guimarães foi liberado ainda pela manhã e declarou ao Jornalistas Livres que a PF aprendeu um computador, seu celular e o celular de sua esposa. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) foram duros ao criticar a Polícia Federal pela condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães; "A Polícia Federal ataca a liberdade de imprensa e de expressão do blogueiro – a mesma PF que tem vazado informações seletivamente de acordo com os próprios interesses, sem levar em consideração os interesses da sociedade", dizem as entidades em nota; "O SJSP e a Fenaj expressam seu veemente repúdio à arbitrariedade da Polícia Federal, pois a condução coercitiva do blogueiro também representa um terrível precedente, que coloca em risco um dos mais importantes princípios do jornalismo – garantir o direito da população à informação"

Moro autorizou ação da PF contra blogueiro

"Meus advogados não entendem a razão da condução coercitiva porque eu não me recusei a vir aqui depor. Não existe uma razão lógica para me trazer obrigado até aqui", argumentou. "Eu sou agora um blogueiro sem equipamento nenhum", declarou. "Eu acredito que a apreensão do meu equipamento de trabalho viola sim a atividade jornalística. Porque eles vão vasculhar", alertou. Ele disse que a PF já sabia quem era a fonte que lhe vazou a condução coercitiva contra o ex-presidente Lula em março do ano passado - motivo para o mandado de hoje - e queria saber se ele tinha alguma relação com essa pessoa. "Eu declarei que não conheço essa pessoa, e que divulguei porque é meu trabalho jornalístico. O meu trabalho é divulgar", contou. Ele contestou ainda o argumento do juiz Sergio Moro, que autorizou a ação da PF contra Guimarães, de que ele não tem formação jornalística. "Inclusive fiquei sabendo que o juiz Sergio Moro falou que eu não sou jornalista. Mas há 12 anos eu tenho um site jornalístico", respondeu.

"A decisão de confiscar meu equipamento cita que eu não seria jornalista, então eu não seria beneficiado pelo direito ao sigilo de fonte. Isso é um equívoco, um desconhecimento da ordem legal do País", argumentou, em referência à legislação brasileira que não exige formação específica para a atividade jornalística no País. Guimarães informou ainda que é vítima de outra ação, de autoria da Associação de Juízes do Paraná, em que ele é acusado de ameaçar Moro pelas redes sociais. Ele nega ter feito isso, esclarecendo que suas mensagens no Twitter foram direcionadas ao seu leitor. "Isso é uma arbitrariedade, uma vergonha", afirmou sobre a ação da entidade.


rodapé ed.png