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Anistia registra violência
urbana contra a mulher


Fonte: Agência Chasque

Porto Alegre (RS) – As mulheres que vivem nas periferias do Brasil são duplamente violentadas. Isso é o que mostra o relatório da Anistia Internacional. As informações foram coletadas em 2006 e 2007 a partir de entrevistas com mulheres que vivem nas favelas de seis capitais do Brasil. Em Porto Alegre, integrantes da organização não-governamental Themis acompanharam os pesquisadores da Anistia Internacional em periferias como a Vila Pinto, Vila Cruzeiro e Restinga.

A coordenadora geral da ONG, Rubia da Cruz, diz que o estudo revelou o quanto as mulheres são alvo da violência urbana. Ao contrário do que se pode imaginar, a mulher não sofre apenas com a violência doméstica.

“Elas são utilizadas, muitas vezes, no tráfico como mulas, são chamadas mulas as mulheres que acabam carregando drogas e sendo obrigadas a fazer isso pelo tráfico. É um trabalho muito difícil que acontece, nem é trabalho, é uma determinação naquela comunidade, naquela sociedade, onde as pessoas por medo, por receio, acabam se submetem às forças que não são as policiais, que são mesmo a das milícias e dos traficantes”, diz.

Rubia afirma que o dado mais alarmante presente no estudo é a total ausência do governo nas comunidades. Ao mesmo tempo, ela critica a polícia armada, que está nas favelas semeando o medo, sem nenhum trabalho efetivo para diminuir a violência.

“O que eles trazem é que há uma ausência completa do governo nessas comunidades. Não só de serviços de segurança e de justiça, como de saúde e outros tantos. Há uma exclusão de toda essa sociedade, dessa comunidade, e as mulheres sofrem muito mais com isso ou porque elas têm que ser cuidadoras de quem fica doente ou elas tem que ser a pessoa que está buscando a possibilidade de conciliação para conseguir continuar viva e residindo naquela comunidade”.

O estudo traz alternativas à situação, como oficinas que proporcionem alternativas de renda, longe do tráfico. A Anistia cobra do governo federal a implantação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (PRONASCI) e a real implementação da Lei Maria da Penha, que trata especificamente da violência doméstica.

No entanto, para Rubia, ainda faltam medidas efetivas que atendam a violência contra as mulheres nos centros urbanos. Ela diz que é um assunto difícil de solucionar, pois as medidas do governo não tratam diretamente da violência contra a mulher na periferia.